Conversa na ONU, reunião na Malásia e ligações por telefone: os contatos de Lula e Trump
Nesta terça, Lula telefonou para Trump para pedir a revogação de tarifas a produtos brasileiros
O presidente Lula teve durante a manhã desta terça-feira (2) uma segunda conversa por ligação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os líderes chegaram a se encontrar pessoalmente no final de outubro na Malásia. A aproximação bilateral iniciou após um encontro entre os Lula e Trump na ONU.
Nesta terça, Lula telefonou para Trump para pedir a revogação de tarifas a produtos brasileiros. Segundo o Palácio do Planalto, a chamada durou 40 minutos e a conversa tratou ainda de "combate ao crime organizado".
O Planalto acrescentou que os dois presidentes discutiram uma atuação conjunta de combate ao crime organizado. O tema entrou em pauta em meio às ações dos Estados Unidos no mar do Caribe contra embarcações que supostamente transportam drogas.
ONU
O governo Lula, que mantinha boas relações com o ex-presidente e rival político de Trump, Joe Biden, iniciou o ano em um contexto de tensão de com a gestão de republicana. O cenário se complicou a partir da imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros comprados pelos Estados Unidos em julho.
Após um início com dificuldades em conseguir contato com autoridades americanas, Lula se encontrou com Trump durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que ocorreu em Nova York.
Na ocasião, o chefe Estado americano elogiou Lula durante discurso na tribuna da ONU, chamou o presidente brasileiro de “um cara muito legal”. Foi o primeiro gesto de Trump sinalizando uma negociação, mais de dois meses depois de anunciar o tarifaço alegando, entre outros fatores, que o Judiciário brasileiro promovia uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Leia também
• João Campos exalta Lula e lembra o pai, em evento na Refinaria Abreu e Lima
• Lula liga para Trump, pede revogação de novas tarifas e fala sobre combate ao crime organizado
• Lula sobre retomada da Transnordestina: "Importante para o Brasil e para o Nordeste"
Trump disse que houve uma "qúimica" entre os dois no encontro. Lula retribuiu o gesto, e disse que "parecia impossível" uma sintonia entre os dois, "mas aconteceu".
Primeira ligação
O encontro abriu caminho para uma ligação por telefone entre os dois duas semanas depois, em 6 de outubro. Na época, auxiliares de Lula insistiram que o primeiro contato ocorresse de forma virtual, em um ambiente controlado, antes de uma aproximação face a face.
A reunião virtual teve participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que classificou a conversa como "positiva" do ponto de vista econômico.
Após a conversa virtual dos presidentes, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reuniram-se em Washington com a presença do representante de Comércio da Casa Branca, Jamieson Greer.
Reunião na Malásia
Desde a ligação, a diplomacia dos dois países começou a costurar em encontro presencial em território neutro, na Malásia.
Após oito meses de tensão, a primeira reunião presencial em Kuala Lumpur, capital da Malásia, durante cerca de cinquenta minutos, à margem da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne economias do Sudeste Asiático, da qual os dois participaram como convidados.
O encontro foi registrado por fotos em que ambos aparecem sorridentes diante das câmeras.
Durante 50 minutos, Lula disse que não há razão para desavenças com os Estados Unidos e pediu a Trump a suspensão imediata do tarifaço enquanto os dois países estiverem em negociação. O americano indicou que pode fazer concessões com o aprofundamento das negociações entre os dois países.

