Corte sob o risco de "emoldurar" Lava Jato

Nas palavras de Herman, "o que não há nesse País é medo". "Se houvesse, nada disso aqui teria acontecido"

Ministro Herman Benjamin, relator do julgamentoMinistro Herman Benjamin, relator do julgamento - Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

No terceiro dia de sessão da cassação da chapa Dilma-Temer, o embate entre ministros envolveu a discussão sobre se o caixa 2 deveria ou não ser penalizado. Enumerou-se as concepções de irregularidades: "caixa 2 com propina", "caixa 2 sem propina", "poupança de propina", pagamentos via doações com recursos de origem ilícita, utilização de intermediários e contratos simulados tendo como beneficiários partidos ou candidatos, pagamento por vias não contabilizadas, como os feitos em espécie em contas offshore e o caixa 3; uso de doadores fictícios no caixa 1, uma espécie de "barriga de aluguel". E ainda que a Lava Jato tenha jogado luz sobre mecanismos de distribuição de propina, via doação oficial, sistema que acarreta vantagens a corruptos e corruptores, dissimulando a origem dos recursos, houve ministros defendendo que aquela corte feche os olhos para os fatos desvendados pela Operação. O relator chegou a questionar se as cópias da Lava Jato haviam sido pedidas pelos representantes para o TSE "emoldurar". Na impossibilidade de divisão da chapa e quando aliados de Temer e de Dilma já dão como certo um placar que será bom para os dois, o constrangimento deve recair é sobre o TSE. Pelo tribunal, passaram a análise das contas da campanha e, agora, podem passar batidas, mais uma vez, as irregularidades cometidas pela chapa e constatadas pela Lava Jato, bem no momento em que a lavagem de propina chegou ao grau em que, segundo avaliações dos próprios ministros, se usa a própria Justiça Eleitoral "como lavanderia insuspeita".

Gilmar cita Jarbas e Roberto Freire
Os nomes de Jarbas Vasconcelos e Roberto Freire foram citados em meio ao debate no TSE, ontem, por Gilmar Mendes, como "casos emblemáticos" nos quais as empresas optam por pagar via caixa 2, mesmo quando o político prefere o caixa 1. Gilmar argumentava que, muitas vezes, não é culpa do político.

Anfitrião : Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar diz que já "deu sinal verde" para o deputado Daniel Coelho ingressar na sua sigla. "Não só Daniel como vários deputados têm procurado um novo abrigo com essa nova ordem partidária no Brasil. Estão na expectativa pelo resultado do TSE", observa Bivar.

Aliança : Luciano diz ter "absoluta convicção" de que "a gente pode, em 2018, estar junto dentro de um projeto para Pernambuco muito bom". Ainda segundo ele, Daniel tem condição de agregar uma "aliança maior com outros partidos".

Planos : Daniel concorreria à Câmara Federal? "Para federal ou para senador", devolve Bivar. E adianta ser fundamental estar "comprometido com agenda reformista". Daniel, no entanto, já se posicionou contra a previdenciária.

Se resolve :
"Daniel faz ponderações com relação à reforma da previdência, mas são coisas que podemos discutir. Daniel tem discernimento para saber que o Brasil urge por reformas".

Panos mornos :
O ministro Fernando Filho só foi notificado, pelo PSB, em relação à reforma trabalhista. Não recebeu notificação sobre a permanência no ministério. Nas coxias, fala-se em esforço coletivo para "diminuir a temperatura".

Gesto : O prefeito Professor Lupércio, reuniu, ontem, na sede da Prefeitura de Olinda, os secretários e os vereadores do G6. A determinação é de que a gestão irá dar prioridade às solicitações desse grupo nas comunidades.

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