Senado

CPI aprova acareação entre coordenadora de imunizações e médica Luana Araújo

A coordenadora do PNI, Francieli Fontana, e a infectologista Luana Araújo, que já depôs na CPIA coordenadora do PNI, Francieli Fontana, e a infectologista Luana Araújo, que já depôs na CPI - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil e Agê

A CPI da Pandemia aprovou a convocação da coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fontana Fantinato. O pedido partiu do senador Otto Alencar (PSD-BA), que apresentou o requerimento logo na abertura da reunião desta quarta-feira (9). Os senadores farão uma acareação entre Francieli e a infectologista Luana Araújo, que já depôs à comissão. 

Segundo o parlamentar, a coordenadora do PNI do Ministério da Saúde foi a responsável por editar nota técnica aos estados, recomendando a vacinação de gestantes que tinham recebido a primeira dose da AstraZeneca, com qualquer vacina que estivesse disponível, sem nenhuma comprovação de segurança ou eficiência.

O senador alegou que a bula do imunizante é clara ao não recomendar seu uso em grávidas, e algumas delas acabaram morrendo, disse. Otto pretende que as duas especialistas esclareçam detalhes sobre possíveis riscos relativos a vacinação de gestantes.

"A dra. Francieli fez uma nota técnica e distribuiu para que parturientes pudessem tomar a segunda dose, só que mulheres foram a óbito. Isso é muito grave. Será que não vale a pena discutir se foram aplicadas as segundas doses com imperícia?", indagou Otto Alencar, ao pedir apoio dos colegas para aprovação do pedido. 

Outro problema apontado pelo senador é que o Ministério da Saúde não comprou o número de vacinas suficiente e foi obrigado a esticar os intervalos entre a primeira e a segunda dose. A Pfizer recomenda 21 dias; a AstraZeneca, 28.  

"O governo não deu as segundas doses no tempo certo porque não tinha disponíveis, aí começou a esticar para dizer que vacinaram 74 milhões de brasileiros. Só que os completamente imunizados são apenas 10,8% da população, ou seja, 20 milhões de pessoas num país de 215 milhões de habitantes", afirmou Otto.

Discussão
Antes da votação do pedido, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) reclamou da convocação de testemunhas sem o prazo regimental de 48 horas para publicação do requerimento. Segundo ele, "essas 'alterações surpresa' minam a confiança da população na CPI" e prejudicam a transparência dos trabalhos. Otto Alencar disse então que o colega estava contra a investigação da morte de parturientes, quando foi iniciada uma discussão. 

"Não seja covarde, não faça isso!", reclamou Marcos Rogério. 

"Não me chame de covarde, porque covarde é quem está no governo!", respondeu Otto, que se levantou e apontou o dedo ao colega, obrigando o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), a cortar o microfone dos dois. 

Leitura da bula
O assunto foi levado pela primeira vez à CPI na reunião de terça-feira (8) pelo próprio Otto Alencar, quando perguntou ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se ele havia lido a bula das vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil. O ministro disse que não lera e provocou reação indignada do senador. 

"Lamento, mas o senhor é autoridade sanitária do Brasil, é quem determina como devem ser aplicadas e quem deve tomar vacinas ou não. Por isso, tem que conhecer qual o método da construção, os riscos e possíveis efeitos colaterais. O senhor deveria ao menos ter lido a bula. E devo dizer que talvez o ato mais irresponsável que um ministro da Saúde pode cometer é determinar aplicação de uma vacina sem ter conhecimentos dos efeitos colaterais", reclamou o parlamentar. 

Otto Alencar também questionou os prazos dilatados entre as aplicações das doses, quando foi interpelado por Marcelo Queiroga, que alegou que não estava tendo a oportunidade de responder.

"Nós distribuímos 70 milhões de doses de vacina para a população brasileira, senador! O senhor não pode  querer desqualificar a autoridade sanitária do Brasil por ter lido ou não a bula de uma vacina", reclamou Queiroga. 

"Não estou desqualificando, não. Não levante a voz para mim. Eu disse que o senhor não lê a bula, e o senhor não leu", rebateu Otto. 

Os dois prosseguiram na discussão, e o presidente Omar Aziz decidiu suspender a reunião por alguns minutos. Na volta aos trabalhos, já com ambos mais calmos, Otto reiterou que a nota técnica emitida por Francieli ignorou a situação das gestantes. 

"O senhor pegou um grande pepino para resolver, e eu vejo que tem boa intenção, mas numa doença grave dessa, tem que ler tudo para editar normas técnicas. São essas normas técnicas que servem para os estados. A edição é do Ministério da Saúde; ele é que coordena todas as ações. Isso é muito grave", completou Otto. 

 

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