Crise causada por erro de gestão hídrica

Ao longo dos anos, gestores não direcionaram ações concretas para reverter o quadro.

Na reunião, foram apresentados o balanço da última safra e as novidades em tecnologia e inovação com irrigação e defensivos agrícolaNa reunião, foram apresentados o balanço da última safra e as novidades em tecnologia e inovação com irrigação e defensivos agrícola - Foto: Divulgação

 

O colapso de água vivenciado pelas prefeituras é visto como um erro de gestão hídrica, por especialistas. A avaliação é que as chuvas ocorridas na última semana no Agreste pernambucano são um engodo e a situação ainda continuará bastante grave, por muito tempo. Pesquisador da fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e especialista em Convivência com o Semiárido, o engenheiro agrônomo João Suassuna avalia que a crise hídrica dos municípios está diretamente relacionado à falta de eficiência do poder público. Segundo ele, ao longo dos anos, os gestores não direcionaram ações concretas para reverter o quadro.
“Não estão observando o limite de uso das águas subterrâneas nos aquíferos. Nós estamos com cinco anos de seca consecutivos. Os açudes e barragens secaram por falta de planejamento de uso na retirada das águas. Se você não usar de forma correta os volumes de regularização, essa represa seca. Houve problema de uso exacerbado da água. Isso é uma constante no Nordeste”, critica o professor.

Na sua avaliação, o pior, diante do colapso e da falta de gerenciamento, é a ausência de um plano alternativo a curto prazo. “Não estou vendo movimentação por parte das autoridades para traçar objetivos claros de onde buscar água. Essas águas duvidosas que estão sendo transportadas têm que ser questionadas. É provável que a gente comece a ter problemas de saúde pública. Se não resolver, pode virar um caos”, alerta.

Numa crítica mais contundente, o especialista condena a construção de obras “faraônicas“ que, a seu ver, a população não terá acesso. “Usar a água do São Francisco para fins de abastecimento nunca foi proibido. A saída para Pernambuco seria utilizar mais as águas do São Francisco usando tubulação e não canais faraônicos”, defende o engenheiro agrônomo.

 

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