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Eleições 2026

Crítica de Tabata a Boulos é 'deselegante', diz PSOL; episódio não afeta costuras partidárias

Deputada postou vídeo no qual atacou os cinco deputados mais votados na eleição passada, lista que, além do psolista, tem apenas parlamentares bolsonaristas

Foto: Renato Pizzutto/Band - Tomaz Silva/Agência Brasil

Interlocutores do ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, avaliam que o atrito público com Tabata Amaral (PSB) representou uma estratégia de a deputada federal se posicionar em um “extremo centro” do eleitorado de São Paulo, apresentando uma postura independente da esquerda.

Por outro lado, apesar de envolver dois dos principais expoentes dos partidos da base do presidente Lula (PT), não acreditam em maiores consequências para o episódio, com os acordos eleitorais mantidos, assim como a campanha conjunta a governo e Senado.

Os dois foram procurados nesta terça-feira (7) para comentar as consequências do episódio e uma eventual reaproximação, mas não retornaram o contato.

Tabata publicou, ontem, um vídeo nas redes sociais em que critica os cinco deputados mais votados na eleição passada. Candidata à reeleição pelo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, ela sustenta que “não é normal” ter aprovado mais projetos sozinha do que aquele grupo somado e que a população recebe “migalhas” em retorno ao voto. Além de Boulos, que contabiliza cinco matérias aprovadas, aparecem na lista os deputados bolsonaristas Nikolas Ferreira (PL-MG), Ricardo Salles (Novo-SP), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Boulos deu uma resposta dura, na avaliação dos próprios correligionários, ao que consideram uma postura “deselegante” da deputada. O ministro, que integra a coordenação de campanha de Lula, publicou nas redes sociais que o vídeo de Tabata era “lamentável para alguém do campo progressista” e disse que teria “vergonha” de duas de suas decisões políticas: o voto a favor da reforma da Previdência e a autoria de um projeto de lei “que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza”, em referência a uma proposta de Tabata que define critérios para o antissemitismo e o equipara ao crime de racismo no Brasil.

Uma pessoa próxima de Boulos, com trânsito na campanha de São Paulo, interpreta o movimento de Tabata como uma “besteira de campanha”, que se resume à tentativa de ganhar terreno nas eleições à Câmara dos Deputados, da qual o ministro não participa. A parlamentar estaria adotando, deste modo, uma “lógica neoliberal” para avaliar o mandato do psolista, ao resumir a atuação parlamentar a uma eficiência na aprovação de projetos. Essa mesma fonte considera um erro de estratégia, por restringir o seu público-alvo a “10% dos votos” mais de centro. Boulos e Tabata disputaram a prefeitura de São Paulo, em 2024, mas sem entrar em conflito aberto.

Outra figura que tem canal direto com a presidente do PSOL, Paula Coradi, afirma que a costura estadual, em que a esquerda levará às urnas uma coligação entre PT/PV/PCdoB, PSOL/Rede, PSB e PDT, liderada pelo pré-candidato ao governo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), não passou diretamente nem por Boulos, nem por Tabata. E que a própria distribuição das vagas, que exigiu uma intervenção do presidente Lula, em Brasília, teve uma negociação sólida em São Paulo, indiferente aos desdobramentos do caso.

O mesmo foi dito por um dirigente do PSB, que encara o atrito como algo “pontual”. Tabata é uma das principais entusiastas da candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado e participou ativamente das negociações com a ex-ministra do Planejamento para troca de domicílio eleitoral, do Mato Grosso do Sul para São Paulo. O PSOL, por sua vez, faz campanha por Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, ao Senado. O empenho dos aliados será colocado à prova nas convenções partidárias, quando um evento conjunto oficializa a chapa de Haddad e do vice, Márcio França.

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