Cunha já havia feito uma mala e aguardava a chegada da PF

Ex-deputado estava em seu apartamento funcional, em Brasília, que já deveria ter sido devolvido à Câmara dos Deputados, há uma semana

Governador conferiu equipamento que está sendo instalado na cidadeGovernador conferiu equipamento que está sendo instalado na cidade - Foto: Aluisio Moreira/SEI

 

O ex-deputado Eduardo Cunha comia um pão com manteiga, quando a primeira equipe da Polícia Federal chegou, por volta das 13h desta quarta-feira (19), em seu apartamento funcional, em Brasília, que já deveria ter sido devolvido à Câmara dos Deputados, há uma semana. 

Ao fazer sua última refeição, antes de ser preso, o peemedebista já havia preparado uma mala para se entregar, após receber a informação de que agentes haviam visitado sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Por volta das 15h, ele embarcou para Curitiba em um jato Embraer 145 e, ao aterrisar, foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal, sede da Operação Lava Jato.

De acordo com a PF, o cumprimento da prisão ocorreu na garagem e que o ex-deputado estava com o advogado. Um dos defensores de Cunha, chamado Álvaro, que faz parte do escritório de Ticiano Figueiredo, chegou no prédio 20 minutos antes da PF. Ele se identificou, perguntou se havia acontecido alguma operação e subiu pelo elevador. 


Outro carro da polícia chegou pouco depois da primeira equipe. O ex-presidente da Câmara demorou poucos minutos para descer junto com os agentes. Eles foram direto para o subsolo, onde o carro da PF entrou para pegar todos.

Segundo o advogado de Cunha, Ticiano Figueiredo, “os policiais educadamente aguardaram que o Eduardo juntasse algumas coisas e, para evitar uma exposição ainda maior, saíram pela garagem direto para o hangar da PF”.

O ex-deputado chegou na Polícia Federal em Curitiba aos gritos de “Fora, Cunha”, por volta das 17h15, numa viatura descaracterizada, cujo trajeto foi acompanhado por um helicóptero. Cerca de 20 manifestantes e curiosos aguardavam em frente à PF, a maioria do movimento “Curitiba contra a Corrupção”. A polícia, po­rém, despistou o grupo e a imprensa: o carro em que Cunha estava entrou pelos fundos do prédio, e só depois ingressou na garagem. Os manifestantes, mesmo assim, aplaudiram a chegada das viaturas aos gritos de “Polícia Federal, orgulho nacional”, e cantaram o hino nacional na sequência.

A esposa de Cunha, Claudia Cruz, não estava em casa no momento da prisão. Ela estava em Brasília, mas não foi alvo de nenhuma medida cautelar expedida por Moro. Segundo pessoas próximas à família, ela ainda não sabe se visitará o marido em Curitiba e pretende voltar ao Rio para ficar com a família.

 

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