Custo de apoio dos parlamentares tende a aumentar

Cientistas políticos advertem que, se o Planalto precisar abrir nova negociação, não haverá elasticidade do caixa. Citam déficit fiscal e a PEC do Teto

 Câmara dos Deputados Câmara dos Deputados - Foto: Nilson batista/câmara dos deputados

É quase insustentável para o presidente Michel Temer (PMDB) arcar com o custo do apoio dos parlamentares do “Centrão” para as próximas votações importantes na Câmara dos Deputados. Na avaliação de especialistas, com a redução gradual da base governista, Temer não terá os votos necessários para aprovar a Reforma da Previdência, seu maior desafio na sobrevida.

A liberação de emendas, em quase R$ 5 bi, mais a anistia de R$ 8 bi para a bancada ruralista, que ajudaram o presidente a se livrar da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), comprometem o ajuste fiscal para conter o déficit de R$ 139 bilhões nas contas públicas.

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Na visão do cientista político Carlos Ranulfo (UFMG), a impopularidade da Reforma da Previdência gera um alto custo eleitoral para os deputados favoráveis ao projeto. “O governo não tem maioria pra votar. (Henrique) Meirelles tem que dizer que tem, mas não tem. Já não tinha antes das gravações da JBS, agora muito menos”, avalia. Na melhor das hipóteses, diz Ranulfo, passaria uma reforma mínima, que não mexe quase nada nos direitos, bem diferente da proposta que o presidente mandou.

A leitura do cientista político Marcos Nobre (Unicamp), em entrevista à BBC Brasil, é de que passa a imperar uma luta pela renovação do mandato. O senador Aécio Neves (PSDB), quase morto politicamente após as denúncias, passou a articular nos bastidores junto ao Centrão em prol de Temer, para assegurar sua sobrevivência política. “Aécio é o novo Eduardo Cunha”, crava o professor. Contra Dilma, Cunha mobilizou os deputados do Centrão (bancada do Boi, da Bala e da Bíblia), mas perdeu sua lealdade quando foi rifado para fora da Câmara na Lava Jato.

Se houver uma segunda denúncia, o custo deverá aumentar na mesa de negociação. “Se precisar abrir nova rodada, não vai ter dinheiro, não tem mais essa elasticidade. O déficit fiscal já está alto. Caso sobreviva, Temer vai provar do seu próprio veneno em 2018, com a PEC do Teto dos Gastos, porque não vai haver dinheiro”, analisa Ranulfo, que também acredita numa desidratação do Centrão. “O grupo não tem uma grande liderança, falta realmente uma liderança. A prova é que o Centrão perdeu eleição para o Rodrigo Maia”, explica.

Para David Verge Fleischer (UnB), o aparecimento de novos fatos, como a delação de Lúcio Funaro ou de Eduardo Cunha, podem complicar qualquer negociação com o Centrão para os próximos dias. “A única coisa que deputado presta muito atenção é se a jogada vai ajudar a reeleger ou não. Agora, estão todos de olho nas bases eleitorais”, acredita Fleischer.

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