Delação da Odebrecht na Lava Jato é freada por desacordo com EUA

Compensação total que a Odebrecht pagará está em disputa entre Washington e Brasília sobre como será distribuída

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da SilvaEx-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução/YouTube

A delação em massa de executivos do grupo Odebrecht por sua atuação na rede de corrupção da Petrobras, investigada na Operação Lava Jato, está travada por divergências sobre a multa que deve ser paga nos Estados Unidos, onde a empresa também é investigada.

"Está tudo pronto, mas apareceram entraves sobre a multa a ser paga nos Estados Unidos e isso está atrasando o fechamento do acordo. Provavelmente deve ser reaberto a partir de segunda-feira (28), porque hoje [quinta-feira, 24] é feriado nos Estados Unidos", disse à AFP uma fonte com acesso às negociações.

A compensação total que a Odebrecht pagará "gira em torno de 2,5 bilhões de dólares" pelas infrações cometidas às leis de Brasil, Estados Unidos, Suíça e existe uma disputa entre Washington e Brasília sobre como será distribuída, acrescentou.

A esperada confissão de mais de 70 funcionários do grupo de engenharia, em troca da redução de suas penas, é um barril de pólvora para o mundo político brasileiro, pois espalhará acusações sobre 200 pessoas, incluindo políticos de quase todo o espectro político, governadores e altos funcionários, segundo a imprensa.

O iminente fechamento do acordo alarmou o Congresso Nacional.

Com mais de 50 deputados investigados pela 'Lava Jato', a Câmara cogita aprovar um emenda que permita uma anistia de crimes ligados ao Caixa 2 - doações não declaradas diante da justiça eleitoral - que costumam usar para lavagem de dinheiro.

A Odebrecht, que chegou a ser uma das maiores construturas da América Latina, era um agente financeiro importante para muitos políticos, segundo a investigação que revelou o escândalo de corrupção que deixou um rombo de mais de 2 bilhões de dólares na estatal.

Seu ex-presidente, Marcelo Odebrecht, considerado um dos empresários mais influentes, está preso há 16 meses em Curitiba, onde cumpre pena de mais de 19 anos por integrar uma organização criminosa e cometer os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O acordo poderia encurtar drasticamente a sentença.

O Petrolão foi definido pelos investigadores como uma confabulação entre construtoras e partidos para manipular licitações e superestimar as obras da Petrobras, para depois distribuir entre 1% e 3% do valor dos contratos.

Veja também

Witzel vai de helicóptero ao Galeão para prestar depoimento à PF
Rio de Janeiro

Witzel vai de helicóptero ao Galeão para prestar depoimento à PF

Carlos Bolsonaro fala em novo 'movimento pessoal' após ação do Facebook contra contas de aliados
Contas Falsas

Carlos Bolsonaro fala em novo 'movimento pessoal' após ação do Facebook contra contas de aliados