Delatores relatam "vantagens indevidas" a Eduardo Campos

Ex-diretores da Odebrecht contaram que, que entre 2007 e 2008, a empreiteira pagou "vantagem indevida" ao então governador, morto em 2014 em acidente aéreo.

Ex-governador Eduardo CamposEx-governador Eduardo Campos - Foto: Paullo Almeida/Folha de Pernambuco

Os delatores da Odebrecht João Antônio Pacífico, ex-diretor superintendente para as áreas Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e Carlos Fernando do Vale Angeiras, ex-diretor de contratos, relataram aos procuradores da Lava Jato que entre os anos de 2007 e 2008 a empreiteira pagou "vantagem indevida" ao então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), morto em 2014 em acidente aéreo.

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Veja vídeos de delação de Marcelo Odebrecht

Segundo os delatores, Campos e o seu interlocutor Aldo Guedes recebiam um percentual de 3% dos valores dos contratos que o Grupo Odebrecht mantinha no Estado.
Guedes era sócio de Campos na Fazenda Esperança e na Agropecuária Nossa Senhora de Nazaré, em Brejão (PE).

O dinheiro repassado a Campos e Guedes, segundo os ex-executivos da empresa, alcançaria R$ 5 milhões de reais.

Os pagamentos eram contrapartida de um acordo de ajuste para fixação artificial de preços e controle de mercado relativo à obra da Adutora Pirapama, na Região Metropolitana de Recife, nos anos de 2007 e 2008.

A Adutora Pirapama era, na ocasião, a maior obra hídrica do Nordeste e foi projetado para aumentar em 48% o abastecimento de água na região metropolitana do Recife, que sofria com o rodízio de água.

Como Aldo Guedes não tem prerrogativa de foro, o ministro Edson Fachin determinou que as delações dos ex-executivos da Odebrecht sejam enviadas para o Judiciário e para o Ministério Público de Pernambuco.

A reportagem não obteve resposta dos representantes de Guedes até a publicação desta nota.

Histórico

Neto do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, Eduardo Campos comandou o estado por dois mandatos, entre os anos de 2007 e 2014.
Antes, havia sido ministro da Ciência e Tecnologia, no governo Lula, entre 2004 e 2005.
Candidatou-se à Presidência da República, em 2014.

Na manhã de 13 de agosto, porém, o avião modelo Cessna Citation 560XLS+ em que viajava do Rio de Janeiro para o Guarujá caiu em um bairro residencial de Santos. Ninguém que estava a bordo sobreviveu.

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