Política

Democracia e liberdade acima de tudo, diz Bolsonaro após participar de ato pró-golpe

Em cima da caçamba de uma caminhonete Bolsonaro afirmou que 'acabou a época da patifaria' e gritou palavras de ordem como 'agora é o povo no poder' e 'não queremos negociar nada'

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro  - Foto: Sergio Lima / AFP

Após ser alvo de fortes críticas por sua participação em um ato que defendia uma nova intervenção militar no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (20) que é contra o fim da democracia.

"No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo", afirmou a jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada pela manhã. Bolsonaro se mostrou bastante incomodado com as críticas que recebeu por participar de ato de apoiadores pró-intervenção militar, com faixas e gritos com pedidos de intervenção militar, gritos contra o Congresso e o STF (Supremo Tribunal Federal) e pressão pelo fim do isolamento social recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) contra a pandemia.

Nesse domingo (19), em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, Bolsonaro afirmou  que "acabou a época da patifaria" e gritou palavras de ordem como "agora é o povo no poder" e "não queremos negociar nada".

"Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. "Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos."

Leia também:
'Não queremos negociar nada', diz Bolsonaro em ato pró-intervenção militar
Manifestantes pelo país atendem apelo de Bolsonaro e pedem fim do isolamento
Manifestantes no Recife pedem intervenção militar neste domingo

Já nesta segunda-feira, o presidente procurou mudar o tom. "Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação que ainda está dentro da normalidade", disse Bolsonaro nesta manhã.

Além de defender o governo e clamar por intervenção militar e um novo AI-5 –o mais radical ato institucional da ditadura militar (1964-1985), que abriu caminho para o recrudescimento da repressão– os manifestantes aglomerados em frente ao quartel-general do Exército defenderam o fechamento do STF e miraram em Maia.

Segundo o presidente, a pauta do ato que teve sua participação era apenas "povo na rua, dia do Exército e volta ao trabalho". Confrontado com o fato de que os manifestantes também pediam a volta do AI-5, afirmou que "pedem desde 1968".

"Todo e qualquer movimento tem infiltrados, tem gente que tem a sua liberdade de expressão. Respeitem a liberdade de expressão", afirmou. A fala de Bolsonaro e sua participação nesse ato em Brasília, no Dia do Exército, provocou outras fortes reações no mundo jurídico e político. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), repudiou neste domingo (19) a manifestação em apoio a uma intervenção militar no Brasil com a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Por meio de uma rede social, o deputado disse ser uma "crueldade imperdoável" pregar uma ruptura democrática em meio às mortes da pandemia da Covid-19.
"O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos", escreveu Maia. "Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição."

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ser "lamentável" que o presidente "apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5". O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também chamou de "lamentável" a participação de Bolsonaro. "É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia."

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que "democracia não é o que presidente Bolsonaro pratica". O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, disse ao jornal Folha de S.Paulo que "só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve". Gilmar Mendes, também do STF, disse que "invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática".

O presidente Nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse que "a sorte da democracia brasileira está lançada" e que está é a "hora dos democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado liberdade".

Veja também

Justiça Eleitoral recebe 28 mil registros de candidatura às eleições
Eleições 2022

Justiça Eleitoral recebe 28 mil registros de candidatura às eleições

Defesa de Gabriel Monteiro entra com recurso na Câmara Municipal
Rio de Janeiro

Defesa de Gabriel Monteiro entra com recurso na Câmara Municipal