Política

'Democracia só não tem espaço para quem quer destruí-la', diz Barroso ao defender sistema eleitoral

O ministro também disse que se manterá em silêncio quanto às supostas orientações recebidas por militares, segundo disse no último domingo, para que ataquem o sistema eleitoral

Luis Roberto BarrosoLuis Roberto Barroso - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse nesta sexta-feira (29) que "a democracia só não tem espaço para quem quer destruí-la" e defendeu o sistema eletrônico de votação, durante evento realizado no Rio de Janeiro. O ministro também afirmou a jornalistas que se manterá em silêncio quanto às supostas orientações recebidas por militares, segundo ele disse no último domingo, para que ataquem o sistema eleitoral. A fala acirrou a crise do judiciário com o governo.

"A democracia é um ambiente plural. Tem lugar para progressistas, conservadores e liberais. Só não tem espaço para quem quer destruí-la", afirmou durante seminário promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) sobre desafios da Justiça Eleitoral em 2022. Sobre o sistema eletrônico de votação, ele ressaltou a inviolabilidade da tecnologia adotada no Brasil e destacou que o voto impresso é passível de fraudes.

"A matéria prima da Justiça Eleitoral é composta por integridade do voto, participação popular e democracia. As urnas eletrônicas brasileiras não entram em rede e não são passíveis de ataques hacker. Já tentaram muito. Mas, não há como fraudar o resultado das eleições. As urnas eliminaram a intervenção humana na votação e na apuração. O sistema é seguro e transparente", completou.

À Carta Capital, o ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello criticou Barroso pela declaração de que as Forças Armadas são orientadas a atacar o processo eleitoral e disse que ele cometeu "ingenuidade pura".

"Ingenuidade pura pensar que Exército, Marinha e Aeronáutica - os militares, portanto - se engajarão numa aventura. Foi um ato falho do ministro Luís Roberto Barroso que não veio a contribuir para a pacificação que o clima está a reclamar. Foi um ato falho", disse sobre o ex-colega.

Questionado sobre o tema, Barroso durante o evento desta sexta, Barroso disse que permanecerá em silêncio.

Durante sua participação em um seminário promovido por uma universidade alemã, Barroso disse que o Brasil é um dos países que testemunha a ascensão do populismo autoritário e relembrou episódios como o desfile de tanques na Esplanada dos Ministérios e os ataques do presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas. Segundo Barroso, existe uma tentativa de levar as Forças Armadas ao "varejo da política". Para ele, é importante que os comandantes militares evitem esse tipo de contaminação. No ano passado, em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro, o Tribunal Superior Eleitoral convidou representantes das três Forças para participarem do processo de fiscalização das urnas.

"Um desfile de tanques é um episódio com intenção intimidatória. Ataques totalmente infundados e fraudulentos ao processo eleitoral. Desde 1996 não tem nenhum episódio de fraude. Eleições totalmente limpas, seguras. E agora se vai pretender usar as Forças Armadas para atacar. Gentilmente convidadas para participar do processo, estão sendo orientadas para atacar o processo e tentar desacreditá-lo", afirmou.

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