Depoimento detalha esquema

Por meio de denúncia do servidor José Coelho Pereira Neto, ex-secretário geral da Câmara, o procurador tomou conhecimento de um esque­ma de uso indevido da folha de pagamento por vereadores.

X-MEN: FÊNIX NEGRAX-MEN: FÊNIX NEGRA - Foto: Reprodução/Adoro Cinema

 

Em depoimento obtido com exclusividade pela Folha de Pernambuco, que integra inquérito para apurar o esquema criminoso instalado na Câmara de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes, o ex-procurador-geral da Câmara de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes, Paulo Thiago Bezerra Ribeiro Varejão, detalhou a pressão que sofreu dos integrantes da suposta associação criminosa, por não concordar com as manobras ilícitas que dominaram o Legislativo municipal.

O relato detalha o esquema que serviria para suprir as dificuldades de financiamento de campanha imposto pela legislação eleitoral, para o pleito deste ano, e chegava a render R$ 70 mil por mês para cada vereador.

Por meio de denúncia do servidor José Coelho Pereira Neto, ex-secretário geral da Câmara, o procurador tomou conhecimento de um esque­ma de uso indevido da folha de pagamento por vereadores.

As irregularidades seriam praticadas pelos mem­bros da mesa diretora da Casa e envolvia inicialmente apenas os vereadores Vado Jogador, Eurico Moura, Tonzinho Basílio, Sargento Sampaio, Samoel da Sorveteria e Charles Motorista. Com a evolução das investigações, contudo, surgiram novos nomes e a Operação Caixa de Pandora atingiu mais de 19 legisladores.

As irregularidades envolviam o desvio de pagamentos na folha de servidores da Casa. Os comissionados teriam que repassar a maior parte do seu salário, o auxílio alimentação, adicional de férias e outros vencimentos para os vereadores que integravam o esquema.

Os servidores recebiam apenas um valor simbólico depositado em conta e mal apareciam para dar expediente. Em uma conversa, o vereador Sargento Sampaio teria declarado ao procurador que o esquema conseguiria obter cerca de R$ 70 mil por mês. Até mesmo o valor do auxílio alimentação chegou a ser elevado de R$ 700 para R$ 1.500,00 somente para ampliar as vantagens dos legisladores.

O esquema somente começou a ser ameaçado quando o Tribunal de Contas do Estado (TCE) enviou ofício solicitando documentos sobre o pagamento dos servidores. A partir de então, começaram as pressões para camuflar as irregularidades.

O procurador e outros servidores começaram a ser pressionados para falsificar documentos com o intuito de esconder o esquema. Por não ceder às ameaças, Paulo Thiago Bezerra foi exonerado do cargo no dia 1° de junho deste ano. Oito dias após a exoneração, ele prestou depoimento denunciando as irregularidades e o inquérito da Polícia Civil teve prosseguimento.

 

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