Deputados veem 'balão'. Túlio diz que 'não se justifica'

Nos bastidores sobram reclamações de deputados da base incomodados com o comportamento do pedetista

Túlio durante a posse no dia 1º de dezembro, na sede do IPATúlio durante a posse no dia 1º de dezembro, na sede do IPA - Foto: Gustavo Gloria/FolhaPE

Quando a exoneração de Túlio Gadêlha foi publicada, nesta sexta (19), ele se encontrava em Petrolina, onde faria uma reunião para entrega de títulos remanescentes que, segundo ele relata à coluna, já haviam sido mote de ato realizado em 2017 na presença do governador Paulo Câmara. Mas o encontro acabou não ocorrendo, já que ele deixou o cargo. O motivo da substituição de Túlio pelo auditor do Trabalho concursado, André Luz Negromonte, na presidência do Iterpe não foi explicitado pelo Governo do Estado, mas nos bastidores sobram reclamações de deputados da base incomodados com o comportamento do pedetista. Há queixas de que ele chegou a marcar mais de uma agenda no interior sem comunicar parlamentares que tinham reduto eleitoral na região.

A chiadeira já andava grande entre aliados de Paulo Câmara e chegou ao Palácio das Princesas. Na avaliação dos deputados, Túlio andava dando “balão” nos parlamentares. Túlio, por sua vez, observa: “Não se justifica dizer que não se chamou deputados para o ato, porque não se faz dois atos de entrega de uma coisa só. Havia títulos remanescentes que deveriam ter sido entregues no ano passado”, registra ele, admitindo haver “muita gente especulando com relação à vinda (dele) para o Sertão e à entrega de títulos”. Ele adverte: “E mesmo que fosse (um ato), a gente não pode fazer atos de entrega de direitos. Título de posse é direito dos agricultores”. Segundo governistas, houve episódios envolvendo questões de hierarquia também, que desembocaram nesse imbróglio. Pessoas próximas a Túlio defendem que a candidatura dele a deputado federal siga sendo “preparada”. Entre governistas, isso não estava nos cálculos. Túlio deve se posicionar, hoje, por meio de nota oficial.

Apagando incêndio
Sobre a exoneração de Túlio Gadêlha, um aliado do governador considera: “Ele tem pinta de candidato”. Na condição de postulante, o pedetista já deixaria o governo em março, a saída, então, só foi antecipada. “Acho que ele está em campanha”, aposta outro deputado.

No páreo
> Pessoas próximas a Túlio dizem que “o grupo se prepara desde 2015” para a disputa de deputado federal dele. Leia-se: A despeito da exoneração, que não se deu a pedido, Túlio irá concorrer à Câmara Federal.

Inundação > Como a coluna registrou esta sexta, o TCE já tinha alertado o Estado do risco de enchente no Canal do Fragoso. Ontem, houve uma inundação, após as chuvas que atingiram Olinda. A obra de R$ 100 milhões é da secretaria de Habitação.

Irmandade 1 > Primeira deputada brasileira eleita para o parlamento italiano, Renata Bueno tem cinco anos de mandato e vai concorrer à reeleição em março, razão pela qual está circulando pela América do Sul, onde há 1,2 milhão de eleitores de comunidades italianas. Ontem, passou pelo Recife, ponto importante, uma vez que é sede do consulado.

Irmandade 2 > Filha do deputado federal Rubens Bueno, Renata brinca: “Fazemos uma irmandade perfeita entre os dois parlamentos". E lembra que os italianos no Brasil também dependem de muitas ações do governo brasileiro. Ela cita como resultado dessa parceria o acordo para reconhecimento recíproco de carteiras de habilitação, que passou a vigorar esta semana.

Cabo de guerra > O desembargador Eduardo Sertório reformou, ontem, decisão do juiz de 1º grau e concedeu liminar favorável ao MDB-PE. A executiva nacional do MDB, em nota, reagiu, chamando a decisão de "inusitada e tendenciosa".

Veja também

Justiça nega pedido para suspender impeachment contra Witzel
Rio de Janeiro

Justiça nega pedido para suspender impeachment contra Witzel

General Ramos vai para a reserva remunerada do Exército
Militares

General Ramos vai para a reserva remunerada do Exército