Disparos atingem toda uma população, que volta às ruas

PCdoB deu entrada em requerimento para criação de uma Comissão Especial Externa

MarielleMarielle - Foto: Divulgação

Presidido nacionalmente por uma mulher, a deputada federal Luciana Santos, o PCdoB deu entrada, ontem, em requerimento para criação de uma Comissão Especial Externa, visando a apurar a morte da vereadora Marielle Franco. Dos 12 deputados federais comunistas, cinco são mulheres. "Foi iniciativa do PCdoB, mas, certamente, outros partidos vão subscrever", projeta a dirigente comunista. Luciana realça o simbolismo que envolve o caso Marielle: "Ela é uma mulher negra, de periferia, de esquerda. As principais vítimas de violência estão nessa população negra, pobre". O crime que tirou a vida de Marielle deu-se no momento em que o Rio de Janeiro passa por uma intervenção na Segurança Pública e levou lideranças políticas a botarem a ação do Governo Federal em xeque. "Acho que isso desmoraliza completamente essa intervenção federal. Essa intervenção era para resolver o problema. Existe a hipótese de ter sido milícia. Então, mata-se uma autoridade política, uma vereadora", critica Luciana. Ex-prefeito do Recife, João Paulo também avaliou: "Isso mostrou que não vai ser intervenção militar que vai resolver o problema da violência no Brasil e no Rio de Janeiro e revela quais os limites das forças armadas para controlar a violência". Nesse momento, as diferenças partidárias caem por terra. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, comprometeu-se a acompanhar de perto o caso. Para a presidente do STF, Cármen Lúcia, com morte de Marielle "morre um pouco de cada um de nós". Embora, brutalmente, silenciada, a voz de Marielle passa a ecoar, agora, por meio outras resistências. O crime se deu, exatamente, no mês da mulher, o que lhe confere ainda mais simbolismo. Ninguém está livre no País enquanto a insegurança prevalecer. Os disparos contra Marielle acenderam o alerta no Palácio do Planalto, que bancou uma intervenção sob promessa de peitar o crime, e ligaram a sirene ainda em toda população que, ontem, voltou às ruas para protestar.

Mais acenos aos Ferreira
Presidente do PSB-PE, Sileno Guedes e o secretário da Casa Civil, Nilton Mota, foram à mesa, ontem, com o presidente estadual do PSC, André Ferreira. Os afagos aos Ferreira, que, até pouco tempo, eram inexistentes, parecem se intensificar, seja via agendas do governador ao lado do prefeito Anderson Ferreira, seja através de conversas reservadas.

Ao assunto > Os Ferreira vem pleiteando um espaço na majoritária e, embora integrem a base, estão no radar de setores da oposição. A conversa de ontem girou em torno desse cenário eleitoral.

Fala, João Paulo! > O ex-prefeito João Paulo relata, à coluna, que Lula não fez apelo, na conversa que teve com ele anteontem, para que ele ficasse no PT por uma razão: "Até caberia. Mas eu não pedi a desfiliação (do PT). Um afastamento não significa uma saída".

Nada a ver > Ainda mais enfático, João Paulo pontua que sua decisão "não tem nada a ver com Marília Arraes". E acrescenta: "Eu já tinha falado que estava ensinando na pós-graduação de Relações Sindicais Trabalhistas e preciso avançar na minha dissertação".

Eleição...> Decisão do juiz federal Francisco Alves dos Santos Júnior, proferida anteontem, em caráter liminar, anula a eleição do CREA-PE e determina afastamento do cargo do atual presidente, o engenheiro Evandro Alencar Carvalho, e de todos os membros da direção.

...anulada > O magistrado deu prazo de cinco dias para que a Plenária do CREA escolha substitutos provisórios para promover outro pleito no prazo máximo de 30 dias. O processo foi movido por Luiz Antônio de Melo que, representado pelo advogado Marcus Alencar Sampaio, apontou vícios na disputa.

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