Disputa pelo Governo de Pernambuco é reedição de um velho embate

A polarização entre o governador Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro Neto (PTB) e voltou a pontuar mais uma disputa pelo Governo do Estado

Paulo saiu em defesa do seu mandato na disputa pela reeleição. Armando Monteiro endossou críticas ao PSBPaulo saiu em defesa do seu mandato na disputa pela reeleição. Armando Monteiro endossou críticas ao PSB - Foto: Paulo Allmeida e Gustavo Gloria

Reeditando a polarização da campanha passada, quando o governador Paulo Câmara (PSB) e o senador Armando Monteiro Neto (PTB) disputaram o Governo de Pernambuco, a eleição estadual de 2018, que levará 6,5 milhões de eleitores às urnas neste domingo (7), ficou marcada pela incoerência programática dos palanques, por propostas com traços populistas e pelo debate nacionalizado. Nenhum dos demais candidatos na disputa - ex-prefeito Julio Lossio (Rede), ex-deputado Maurício Rands (PROS), Dani Portela (PSOL) e Simone Fontana (PSTU) - se consolidou como terceira via.

Tudo isso com a peculiaridade do sentimento lulopetista no Estado ditando algumas estratégias de campanha. Contudo, os palanques dos protagonistas se destacaram pela incongruência de posições, com o antipetista Jarbas Vasconcelos (MDB) e o petista Humberto Costa (PT) ao lado de Câmara, que criticava o PT e hoje está aliado, e, do outro lado, os antipetistas Mendonça Filho (DEM) e Bruno Araújo (PSDB) com Monteiro, que era aliado ao PT e evita críticas ao partido. “Em Pernambuco, a presença do lulismo é forte e bater nele significa perder votos”, pondera Antônio Lucena, cientista político do Observatório do Poder, lembrando que o próprio PT parou de usar o termo “golpe” para evitar mal-estar com antigos desafetos e hoje aliados.

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O cientista político Ernani Carvalho, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pontua que a campanha, por um tempo, foi baseada em Câmara e Monteiro tentando se vincular ao ex-presidente Lula (PT) e, depois, a imagem da oposição vinculada ao presidente Michel Temer (MDB), vide Araújo e Mendonça terem sido ministros do emedebista.

Aliás, este e a reforma trabalhista foram dois temas que vieram à tona durante o pleito estadual. Câmara que havia se posicionado a favor da destituição da petista e hoje está aliado ao PT, disse que se arrependeu. A outra temática surgiu na reta final e influenciou nas pesquisas de intenções de votos. Nos bastidores das duas campanhas, a avaliação é que a reforma trabalhista, a qual Monteiro votou favorável, apresentou-se como um ponto frágil do petebista, que, no primeiro momento evitou falar, depois tentou explicar seu voto.

Os postulantes trocaram as propostas desenvolvimentistas de outrora por promessas que possam arregimentar o maior número de eleitores. Lucena destaca que foco dos candidatos foi o eleitorado mediano, sem apreço a questões fiscais. “(Propostas com) apelo eleitoral com certa medida populista que amplia gastos. A ideia é atingir o máximo de eleitores”, analisa. Exemplos disso são a promessa de pagamento do 13º salário do Bolsa Família, de Câmara e de Monteiro, ou a “Nome Limpo”, de Rands.

Denúncias eleitorais
Pernambuco, com 2.744 denúncias, é o segundo estado com maior número de denúncias eleitorais, atrás de São Paulo, com 3.453, segundo o Pardal, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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