Dissolução na presença de ministros e Jucá realça benção

Os auxiliares de Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, acompanharam de perto a votação

Romero Jucá, Jarbas Vasconcelos e Fernando Bezerra CoelhoRomero Jucá, Jarbas Vasconcelos e Fernando Bezerra Coelho - Foto: Folha de Pernambuco

Dois nomes diretamente ligados ao presidente Michel Temer acompanharam de perto, ontem, toda a reunião da executiva nacional do MDB: o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco. Entre os presentes, não restou de dúvidas da digital de Temer impressa ali, no processo de dissolução da sigla em Pernambuco, que acabou concluído, ontem, após idas e vindas na Justiça. Até então, à frente da presidência estadual do MDB-PE, Raul Henry contou com a companhia do deputado federal Jarbas Vasconcelos ao longo do encontro, que teve a presença ainda do senador Fernando Bezerra Coelho. Henry e Jarbas chegaram a ter dois encontros com Michel Temer para tentar reverter o processo. No último dia 6 de março, os dois tiveram um último encontro com o chefe do Planalto. Ontem, além das presenças dos ministros mais próximos ao presidente, o dirigente nacional da sigla, Romero Jucá, em entrevista após a reunião, foi taxativo: "Temer apoia a direção nacional do partido". Nas coxias, aliados do presidente, sempre externaram que ele nunca engoliu o fato de Henry ter sugerido, em uma entrevista, que ele renunciasse após o vazamento da conversa entre ele e o delator Joesley Batista, da JBS. Os 52 anos de história do MDB-PE, do qual Jarbas é um dos fundadores, não contaram. A partir de agora, uma comissão provisória passa a dirigir o partido no Estado, vigorando por 90 dias. Quem assume a presidência dela é o senador Fernando Bezerra Coelho, que leva o tempo de TV do MDB para o bloco de oposição ao governador Paulo Câmara, cujo PSB vem exercendo oposição ao governo Temer.

A maior decepção
Em reunião da executiva nacional ainda em setembro, quatro nomes dos sete que se pronunciaram, posicionaram-se a favor do arquivamento do pedido de dissolução: João Arruda, Darcísio Perondi, Mauro Mariani e Wellington Salgado. Ontem, alguns mudaram de posição, a exemplo de Perondi. "Perondi votou contra a gente foi minha maior decepção", desabafou Henry à coluna.

Posição mantida >
Na reunião de ontem, votaram contra a dissolução: Rose de Freitas, Wellington Salgado, João Arruda, Mauro Mariani e Flaviano Melo. Foram seis votos contra e 17 a favor.

Lei do retorno > O clima pesou na reunião de ontem e Jarbas Vasconcelos, que nem vinha participando dos encontros anteriores da executiva nacional, dirigiu-se a Romero Jucá, elevando o tom: "Isso vai sair caro para você!".

Adjetivos >
Com Fernando Bezerra Coelho presente, Raul Henry o interrompeu por várias vezes. Tachou o senador de "traiçoeiro, desleal e indigno". Usou o dedo em riste. Chamou ainda de "indecente e imoral". FBC chegou a definir Raul como "agressivo", condenando o tom.

Bate e rebate > FBC chegou a dizer que o problema é que o MDB-PE era "sublegenda do PSB". Henry devolveu que o partido venceu 76% das eleições municipais contra o PSB. FBC disse que queria "diálogo". Henry devolveu: "Como, se você pediu dissolução?".

Agora vai! > O ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, prepara-se, agora, para marcar a data da filiação ao MDB-PE. O irmão e prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, deve se filiar junto.

Presidenciável > Em passagem pelo Recife, o pré-candidato a presidência pelo PPL, João Vicente Goulart, fará visita de cortesia a Paulo Câmara amanhã. Filho do ex-presidente João Goulart, ele lança sua pré-candidatura na Câmara do Recife no mesmo dia, às 15h. O PPL-PE é presidido por Edna Costa, que já levou à direção nacional da legenda a decisão de apoiar a reeleição de Paulo Câmara.

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