Doleiro Alberto Youssef deixa a prisão após dois anos e oito meses

Acusado ainda não sabe o que fará para se sustentar e pode voltar à prisão se praticar crimes

Doleiro Alberto YoussefDoleiro Alberto Youssef - Foto: Lula Marques/Agência PT

Delator da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef deixou a prisão em Curitiba, nesta quinta-feira (17), e passará a cumprir regime domiciliar após quase três anos de cárcere.

Youssef colocou tornozeleira eletrônica e saiu de carro da Justiça Federal do Paraná, por volta das 14h15, acompanhado de um advogado. Ele segue no mesmo automóvel para São Paulo, onde viverá pelos próximos quatro meses, num apartamento alugado no bairro de Vila Nova Conceição, na zona sul da cidade.

O valor do aluguel, que chega a R$ 2.800 com condomínio, como mostrou a Folha, será custeado pela família do doleiro. "Grande dia", disse o advogado Antônio Figueiredo Basto, ao chegar à sede da Justiça, para acompanhar seu cliente. Segundo ele, Youssef estava "extremamente feliz" e "não cabia em si".

Para o advogado, a colaboração do doleiro, um dos primeiros delatores da Lava Jato, foi "excepcional" e justifica a concessão do benefício, após dois anos e oito meses de prisão. "Sem a contribuição dele, vocês [repórteres] não estariam aqui. Não haveria Lava Jato", disse.

O doleiro já havia feito um acordo de colaboração no início dos anos 2000, no caso Banestado, também celebrado pelo juiz Sergio Moro, mas voltou a praticar crimes e acabou preso pela Lava Jato, em março de 2014. "Ele está ressocializado. Mais do que uma advertência, ele sofreu uma pesadíssima lição", afirmou Basto.

Youssef teve que abrir mão de quase todos os seus imóveis após o acordo –só sobraram dois apartamentos, onde hoje vivem sua ex-mulher e uma de suas filhas. Ele passará mais quatro meses em prisão domiciliar, sem poder sair do prédio onde vai morar. Depois, passará ao regime aberto.

O doleiro ainda não sabe o que fará para se sustentar. Se voltar a praticar crimes, perderá os benefícios do acordo e pode voltar à prisão.

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