Doria defende permanência de Aécio na presidência do partido

Ao pregar a necessidade de "equilíbrio do país", ele se disse contrário a uma ala do partido que pressiona pela renúncia de Aécio do posto

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Governador de São Paulo, João Doria (PSDB)  - Foto: Divulgação

Em meio ao clima de indecisão no PSDB acerca do futuro político do senador Aécio Neves, o prefeito de São Paulo, João Doria, defendeu a permanência do político mineiro na presidência nacional do partido até as convenções de dezembro.

"Não podemos ter um país convulsionado para discutir qualquer tema de qualquer natureza", disse Doria nesta quinta-feira (19) em Goiânia, onde ministrou palestra em um fórum de gestão e se encontrou com o também tucano, o governador Marconi Perillo.

Ao pregar a necessidade de "equilíbrio do país", ele se disse contrário a uma ala do partido que pressiona pela renúncia de Aécio do posto, encabeçada pelo presidente interino do partido, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). "Temos cerca de 40 dias para a convenção nacional do PSDB, onde será eleita a nova executiva nacional do partido".

Ao contrário de Tasso, que já afirmou não haver mais condições para que o senador mineiro permaneça no posto, Doria disse que é preciso observar o rito das mudanças de comando do partido. "A população não está preocupada com questões partidárias. Está preocupada com o seu bem-estar".

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Apesar da postura divergente, Doria elogiou o presidente interino da sigla, de ser "uma pessoa de respeito" e que "cumpre um papel difícil nesse período turbulento".

Tasso viajou a São Paulo na manhã desta quinta para consultar o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o partido e as eleições de 2018.

'DISCUSSÃO INÓCUA'
Também saiu em defesa de Aécio o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, com quem Doria se reuniu na manhã desta quinta-feira, no Palácio das Esmeraldas, sede do Executivo estadual, em Goiânia. Para Marconi, a discussão em torno da permanência de Aécio no posto é "desnecessária e inócua".

"O Aécio já ficou durante esse ano todo em meio à crise. Agora que ele retoma o mandato no Senado, faltando apenas 40 dias para terminar o mandato como presidente (do partido), não se justifica ele deixar a presidência. Ele não é presidente hoje de fato, ele é de direito. Quem está dirigindo o partido é o senador Tasso Jereissati", afirmou Perillo.

Aécio voltou ao Senado depois de a Casa decidir, por 44 votos a 26, revogar as medidas cautelares impostas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a ele. O tucano estava afastado das atividades parlamentares e proibido de deixar sua residência à noite desde o fim de setembro. Gravado por Joesley Batista, da JBS, pedindo R$ 2 milhões, o senador foi denunciado sob acusação de obstrução de Justiça e corrupção passiva.

MBL
Questionado sobre manifestação de apoio de alguns integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) para 2018, Doria disse ainda contar com a simpatia do movimento. "O MBL não saiu do nosso campo de apoio".

Depois da entrevista, ele recebeu o título de cidadão goiano. Desde que assumiu a prefeitura, também foi agraciado com títulos semelhantes em cidades como Salvador, Natal e Belém. Em Teresina, porém, a Câmara rejeitou, em agosto, a concessão da homenagem.

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