Qui, 16 de Abril

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BRASIL

Edegar Pretto desiste de pré-candidatura e anuncia apoio a Juliana Brizola ao governo do RS

Direção nacional do PT já havia anunciado a escolha da ex-deputada para encabeçar a chapa da esquerda ao Executivo estadual

Presidente Lula e Edegar Pretto (E); Juliana Brizola (D) e presidente Lula Presidente Lula e Edegar Pretto (E); Juliana Brizola (D) e presidente Lula  - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O petista Edegar Pretto, ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), anunciou nesta quinta-feira que desistiu da pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul para apoiar a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT). Na terça-feira, a direção nacional do PT já havia anunciado a escolha da ex-parlamentar para encabeçar a chapa da esquerda ao Executivo estadual.

A decisão deixa a legenda sem candidato próprio pela primeira vez na história. Ao tratar da situação eleitoral gaúcha, o documento orienta "a definição da construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no estado". O texto também faz um aceno a Edegar e o coloca como "a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção", junto aos pedetistas.

O documento também diz que a tática política no RS "deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura, com encaminhamentos coerentes e responsáveis" e diz que "não há nada mais importante que a reeleição do presidente Lula".

 

Resistências à Juliana Brizola
A intervenção contraria a posição defendida por Edegar e pelos ex-governadores petistas Tarso Genro (2011-2015) e Olívio Dutra (1999-2003), que se manifestaram contra a escolha de Juliana Brizola para encabeçar o palanque durante uma plenária do partido na noite de ontem.

— Aqui, no Rio Grande do Sul, ninguém aceita intervenção. Intervenção é um desrespeito não somente à minha trajetória e à dos demais quadros políticos que foram dirigentes do nosso partido, é um desrespeito à história da nossa militância — disse Genro, nesta segunda-feira, em plenária do partido realizada em Porto Alegre.

Os petistas gaúchos defendem Pretto como “a melhor opção para a construção da vitória” nas eleições e argumentam que a decisão de apoiá-lo foi tomada de maneira ampla e democrática, em convenção realizada ainda em novembro do ano passado, com o endosso dos partidos aliados PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB.

Em meio ao imbróglio, o PSOL, que apoia Edegar, ameaça lançar um nome para o Palácio Piratini caso o PDT vença a queda de braço e desmanche o acordo já formalizado no estado. A aliança formada com Pretto ocorre desde a eleição passada, em 2022, quando ele marcou 26,7% dos votos para o governo contra 26,8% de Leite — uma diferença de cerca de dois mil votos —, que avançou para disputar o segundo turno.

Edinho Silva, no entanto, já classificou como “etnocentrismo político inaceitável” a manutenção de dois palanques em detrimento da unificação pretendida. De acordo com ele, a “história irá cobrar” um preço que pode ser “politicamente caríssimo” se não houver um acordo.

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