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"Eles estão colhendo frutos do que plantaram", diz Lupi

“Não temos obrigação nenhuma de fazer campanha. Nem Ciro"

Diante das cobranças, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, lamenta “visão hegemônica” do PTDiante das cobranças, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, lamenta “visão hegemônica” do PT - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi chegou a falar ao telefone com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, ontem. "Ela me convidou para ir a ato, em São Paulo, de apoio a Márcio França", relatou o dirigente à coluna. Lupi não teve como ir. O gesto da petista não se deu de forma isolada. Ainda ontem, o presidenciável Fernando Haddad cobrou "mais empenho" dos pedetistas neste 2° turno. A cobrança, no entanto, não fez Lupi alterar nem em um milímetro a decisão tomada pela Executiva Nacional sobre o chamado "apoio crítico" ao PT. Ao contrário: parece ter tocado na ferida ainda aberta dos pedetistas. Em tom de desabafo, Lupi, à coluna, despejou: "O PT não tem legitimidade de nos cobrar nada. Só pode cobrar dos seus filiados. O PDT é um partido independente. Não devemos nada ao PT". Lembrou que havia mais de 50 membros presentes ao encontro da Executiva e que a definição ocorreu "por consenso". Lupi cuidou de realçar: "Jamais iremos compactuar com que representa Bolsonaro, a direita, anti-povo". Mas adverte: "Não temos obrigação nenhuma de fazer campanha. Nem Ciro". Lupi, ao fazer tal colocação evita deixar Ciro, que está em viagem ao exterior, exposto ao "bombardeio" dos petistas num momento em que as pesquisas seguem apontando vantagem de Jair Bolsonaro sobre Haddad - segundo amostra do Ibope, divulgada ontem, o capitão reformado tem 59% dos votos válidos contra 41% do petista. Ciro chegou a cogitar "se submeter", caso o partido optasse por fazer campanha para o PT, mas não escondeu não ter condições de sentar à mesa com dirigentes petistas após ver tentativas de aliança em torno da sua candidatura serem inviabilizadas pelo PT. As pesquisas, inicialmente, chegaram a apontar Bolsonaro perdendo em todos os cenários do 2º turno. Foi o caso da Datafolha divulgada no dia 28 de setembro, por exemplo. A reversão das projeções, no entanto, parece que não estava no script do PT, que atuou para isolar Ciro na disputa. "O PT tem visão hegemônica. Acham que só eles podem ser apoiados e estão colhendo frutos do que eles plantaram", desafoga Carlos Lupi.

Sobre ausência de reciprocidade
Carlos Lupi endossa queixas que os correligionários elencaram, como a coluna cantara a pedra, durante reunião da Executiva Nacional. "O PT nunca nos apoiou em nenhum estado da federação. Isso é um fato concreto". O dirigente reforça: "Simplesmente em nenhum".

Bode...> Em Pernambuco, aliados de Paulo Câmara já vinham avaliando negativamente a postura de Ciro Gomes. Defendem que, em prol da democracia, ele deveria ter viajado.

...expiatório > No PDT, há quem avalie o inverso. Um parlamentar, em reserva, pondera: "Se o PT estivesse preocupado com a manutenção da democracia, teria feito aliança com Ciro Gomes e não trabalhado para isolá-lo".

Fogo amigo > No Estado, pedetistas fazem a conta de que perderam a vaga do Senado na chapa de Paulo Câmara para Humberto Costa. O assunto não passa despercebido por Lupi: "Esse é outro grande exemplo". O PDT queria indicar José Queiroz.

Sincericídio 1 > O ato era promovido por Camilo Santana para impulsionar a candidatura de Fernando Haddad no Ceará. Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, no entanto, não poupou o PT e, além de cobrar um "mea culpa" e "pedido de desculpas", vaticinou "Isso é para perder a eleição, é bem feito".

Sincericídio 2 > Cid ainda criticou: "Vão perder feio porque fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas. Porque acharam que eram donos de um País, e o Brasil não aceita ter dono". E arremessou: "Quem criou o Bolsonaro foram essas figuras".

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