Elias vê reconciliação como improvável

Elias defende que temas de tal importância só podem ser deliberados com o conjunto do partido

Paulo Rabello de CastroPaulo Rabello de Castro - Foto: Henrique Genecy/Folha de Pernambuco

Na contagem regressiva para encerrar seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes se prepara para assumir, em abril de 2017, o comando do PSDB no Estado. Quando seu partido e o DEM foram convidados a deixar o Governo Paulo Câmara, uma vez que ambos lançaram candidaturas à Prefeitura do Recife, ele não se furtou a assumir posição crítica em relação ao gestor socialista. Na época, em entrevista a esta colunista, registrou que o chefe do executivo estadual estava demolindo pontes e construindo muros. Sua visão não mudou, ainda que, após isso, tenha lançado um candidato do PSB a sua sucessão. Carrega, hoje, entendimento alinhado ao do ministro das Cidades, Bruno Araújo, que, à coluna, ontem, descartara a chance de recomposição com a gestão estadual. A “demissão” dos tucanos foi um fator que “dificultou” a relação, na avaliação de Elias. “O que Bruno diz, hoje, precisa ser ouvido. Ele é a pessoa com mais representatividade no partido”, grifa. E realça: “Com Bruno ministro e com a vitória de Raquel Lyra em Caruaru, o partido ganha estatura em Pernambuco e exige novas interlocuções. Além dos companheiros que já estão no partido, estes atores são importantes”, acrescenta. E reforça: “Esse negócio (decisão de convidar PSDB a deixar governo) complicou. Se isso vier a ser reaberto, se alguma coisa for formalizada, teria que ter unidade para isso. Teria que ser a visão do conjunto. Hoje, a situação é desfavorável”.

Elias defende que temas de tal importância só podem ser deliberados com o conjunto do partido

Entre cicatrizes
A campanha eleitoral em Jaboatão deixou uma cicatriz na relação de Elias Gomes com o PSB. Hoje, olhando para trás, ele usa a seguinte expressão para definir o episódio: “A candidatura de Heraldo Selva foi desapoiada pelo PSB”. O pleito nem tinha acabado ainda e o gestor tucano já havia feito críticas similares à coluna.
“Não foi contra mim” > Passada a disputa, Elias Gomes recolheu-se. Ao quebrar o silêncio, agora, reitera: “Só para citar, dois deputados e um secretário de Estado, que é André Campos, apoiaram uma candidatura contra a candidatura do PSB. Não foi contra mim”.
Assumo > “Essa candidatura foi do PSB e eu achava que essa aliança ia reforçar um candidato, um projeto de continuidade. O erro central foi meu. Ninguém faz milagre em 60 dias”.

Muita água ainda > O deputado federal Daniel Coelho, que encabeçou a chapa do PSDB na corrida pela Prefeitura do Recife, é ainda mais duro. “O PSB é que diz que participar do governo é compromisso com eleição. Ninguém vai fazer compromisso com eleição agora. Eles disseram antes e disseram depois”.

Moeda > Daniel crava: “O PSDB não vai se submeter a trocar cargos por apoio em 2018. Ainda mais quando o PSB ocupa a imprensa todo dia dizendo que tem candidatura própria à Presidência da República”.

Opostos > O deputado dá mais razões: “O PSB nacional construiu posição de aproximação com a gente, mas o PSB de Pernambuco construiu um distanciamento. A votação da PEC 241 é um exemplo disso. Quando, nacionalmente, o PSDB foi pelo caminho da austeridade, que é a demanda da maioria da população, o PSB de Pernambuco foi pelo caminho da demagogia junto ao PT”
Filtro > Pedro Henrique Reynaldo Alves é o nome que comanda a Comissão Especial de Reforma Política da OAB. Será entrevistado por Mônica Bérgamo e Antonio Lavareda no Ponto a Ponto, hoje, pela BandNewsTV. A entidade apoia a PEC 36/2016. Para ter representação no Congresso, os partidos devem alcançar, já no pleito de 2018, 2% dos votos válidos apurados nacionalmente, espalhados em 14 estados.

Veja também

Quase 11 mil candidatos com patrimônio superior a R$ 300 mil receberam o auxílio emergencial
auxílio emergencial

Quase 11 mil candidatos com patrimônio superior a R$ 300 mil receberam o auxílio emergencial

Ministério Público pede que PF investigue ataque em que Arthur do Val relaciona Tatto ao PCC
política

Ministério Público pede que PF investigue ataque em que Arthur do Val relaciona Tatto ao PCC