Em 8 meses, Lula só apareceu publicamente duas vezes e recebeu centenas de visitas

Carolina Lebbos também impediu o ex-presidente de conceder entrevistas na prisão.

Superintendência da PF em CuritibaSuperintendência da PF em Curitiba - Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Desde que foi preso no dia 7 de abril, o ex-presidente Lula foi candidato a presidente, deu ordens para a direção do PT e recebeu centenas de visitas, mas só apareceu publicamente em duas ocasiões, em depoimentos à Justiça. A última delas foi no dia 14 de novembro, quando prestou depoimento à juíza Gabriela Hardt na ação penal sobre o sítio de Atibaia (SP). Foi a única vez em que saiu da sede da PF em Curitiba, para onde foi levado de helicóptero oito meses atrás.

A outra aparição foi em junho, quando foi ouvido por videoconferência, como testemunha, em um processo contra o ex-governador Sérgio Cabral, no Rio. Ainda assim, o período na cadeia foi bastante agitado: ele decidiu registrar candidatura à Presidência em agosto, apesar de ser condenado em segunda instância, e tentou levar adiante a campanha mesmo preso. A candidatura acabou barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral no dia 31 de agosto. O então candidato petista a vice, Fernando Haddad, assumiu oficialmente a candidatura no dia 11 de setembro.

O domingo 8 de julho foi um dos dias mais tumultuados envolvendo o processo do ex-presidente. Um juiz plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Rogério Favretto, decidiu soltá-lo por considerar que o petista estava tendo seus direitos de pré-candidato cerceados na prisão.

Leia também:
Marco Aurélio concede liminar que deve levar à soltura de Lula
Em carta, Lula pede a Dilma que resista 'atacando e não se defendendo'
Ministério Público pede condenação de Lula na ação do sítio de Atibaia
Noronha intima juízes Rogério Favreto, João Pedro Gebran Neto e Sergio Moro


A medida foi contestada, antes de ser concretizada, por Sergio Moro, então juiz da primeira instância, e pelo relator do caso na segunda instância, João Pedro Gebran Neto. Após horas de indefinição, o presidente da corte regional, Carlos Thompson Flores, decidiu contra o ex-presidente, que permaneceu detido.

Desde os primeiros dias na cadeia, Lula e seus advogados se envolveram em diversos embates jurídicos com a juíza Carolina Lebbos, responsável por administrar o dia a dia da pena. Visitas de amigos ao ex-presidente na PF do Paraná foram inicialmente barradas. Depois, a magistrada o autorizou a receber dois amigos por semana, às quintas-feiras.

Políticos e apoiadores famosos formaram uma "fila" para visitá-lo, incluindo personalidade como Chico Buarque, o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica e o ator americano Danny Glover.

Haddad se inscreveu como advogado do ex-presidente, o que facilitou o acesso à carceragem em Curitiba. As visitas causaram polêmica durante a campanha presidencial, e o ex-prefeito decidiu interromper os encontros no segundo turno, quando foi derrotado por Jair Bolsonaro (PSL).

Lula se manifestou publicamente em inúmeras cartas, divulgadas em seus perfis em redes sociais e até lidas em eventos do PT, como o lançamento de sua candidatura a presidente, na qual não compareceu, em agosto. A presença dele na capital paranaense provocou a organização de um acampamento de apoiadores, logo no dia da prisão. A concentração, após ordem judicial, foi transferida para um local mais afastado do prédio da PF.

Carolina Lebbos também impediu o ex-presidente de conceder entrevistas na prisão. A Folha de S.Paulo foi um dos veículos de imprensa que pediram para entrevistá-lo, solicitação que ainda não teve decisão final no Judiciário.

Veja também

Governo defende que civis sejam julgados pela Justiça Militar em caso de ofensa às Forças Armadas
Brasil

Governo defende que civis sejam julgados pela Justiça Militar em caso de ofensa às Forças Armadas

Osmar Terra publica mensagem de pesar pelas 500 mil mortes por Covid
Coronavírus

Osmar Terra publica mensagem de pesar pelas 500 mil mortes por Covid