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MINISTÉRIO

Empresário apontado pela PF como peça-chave no caso do 'Rei do Lixo' fez visitas à Agricultura

Gabriel Mascarenhas Sobral diz que encontros foram 'cortesia' a ex-secretário, que nega conhecê-lo

Ministério da AgriculturaMinistério da Agricultura - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Apontado pela Polícia Federal como "peça-chave" em um suposto esquema formado para fraudar licitações e desviar emendas parlamentares, o empresário Gabriel Mascarenhas Figueiredo Sobral fez ao menos três visitas ao Ministério da Agricultura entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, segundo registros de entrada da pasta. O grupo, que inclui o empresário José Marcos Moura, o "Rei do Lixo", é alvo da Operação Overclean.

De acordo com a investigação, Sobral atuava como lobista, intermediando contatos com agentes públicos para que as emendas fossem liberadas e convênios com ministérios fossem assinados. Ao se identificar na portaria do Ministério da Agricultura, o empresário informou que seu destino era gabinete do então secretário de Comércio e Relações Internacionais, Roberto Perosa, que deixou a pasta em outubro do ano passado.

Questionados sobre os registros de entrada na pasta, Sobral e Perosa deram versões divergentes. O empresário investigado confirmou que esteve no ministério para visitas de "cortesia" com o ex-secretário, que é de São Paulo, mesmo estado que ele.

— O Roberto Perosa é aqui de São Paulo. Eu estive lá no ministério com ele algumas vezes — disse Sobral, que negou ser peça-chave de um esquema criminoso: — Na época, o Roberto era secretário de questões internacionais, não tinha nada a ver com emendas. Eu não tenho nada a ver com isso. Não tem nexo causal.

Já Perosa negou conhecer o empresário e sugeriu que ele pode ter informado que o visitaria para acessar outras áreas do ministério.

— Não tenho a menor ideia de quem seja, nem sei quem é. Pode ter entrado lá falando que (a visita) era no meu gabinete, mas não foi, porque eu não sei quem é — disse o ex-secretário.

De acordo com relatório da PF, Sobral operava o esquema em nome de empresas ligadas ao grupo criminoso. Em decisão que autorizou buscas e apreensões na Operação Overclean, o ministro Kássio Nunes Marques, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), destaca que sua atuação, além do Ministério da Agricultura, também se dava na pasta da Integração e Desenvolvimento Regional.

“Gabriel Mascarenhas Figueiredo Sobral figura, segundo a representação, como peça-chave no esquema ilícito, sendo responsável por favorecer empresas ligadas ao grupo criminoso. Atua na liberação indevida de emendas parlamentares e na celebração fraudulenta de convênios com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)”, diz o documento.

Procurados, o ministérios da Agricultura e da Integração não se manifestaram.

Visitas do 'Rei do Lixo' ao Congresso
Como mostrou O Globo, Sobral não foi o único dos investigados a circular por gabinetes de Brasília. O empresário José Marcos Moura, o "Rei do Lixo", esteve na Câmara durante o período de atuação da suposta organização criminosa. Registros de entrada da Casa mostram que, entre junho de 2022 e julho do ano passado, foram 27 visitas — mais da metade delas (15) para reuniões na liderança do União Brasil.

Segundo relatórios da investigação, Moura atuava como articulador político do suposto esquema. Ele chegou a ser preso em dezembro, durante a Operação Overclean, e solto uma semana depois.

O líder do União Brasil, deputado Elmar Nascimento (BA), confirmou, na ocasião, ter encontrado Moura no gabinete da liderança em algumas ocasiões. Segundo o parlamentar, contudo, as reuniões eram com outros integrantes da legenda.

— Eu já encontrei com ele algumas vezes sentado lá na mesa de reuniões da liderança. Com quem encontrou ou deixou de encontrar, eu não sei — afirmou Elmar, que citou o fato de o empresário também ser filiado ao União.

A Overclean teve início para apurar desvio de recursos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e mirou na atuação de Moura junto a políticos para destravar negócios públicos. A organização é suspeita de atuar com pagamento de propina para conseguir contratos em todo o país.

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