Entre justificativas que geram mais interrogações

“Se o governador não age, dizem que é bonzinho demais. Se ele se impõe, também falam”, pontua um palaciano

UberUber - Foto: Divulgação

No FiliaWeb, do TSE, consta como data de filiação de Luciano Vasquez ao PSB, o dia 10 de fevereiro de 2011. A zona na qual ele aparece é referente ao município de Tracunhaém, onde seu irmão, Belarmino Vasquez, é prefeito. Foi em razão da campanha de Belarmino, em 2012, que Luciano transferiu seu título. Ele mesmo recorda, no entanto, que já integrava as hostes socialistas desde 1994, quando filiou-se pela cidade de Lajedo. As datas de filiação de membros do partido passaram a ser comparadas, ontem, entre os próprios socialistas nos bastidores, depois que a sigla emitiu nota, reduzindo o peso das opiniões de Luciano, ao registrar ser “recente” o seu ingresso. Houve quem lembrasse, por exemplo, que a filiação do governador Paulo Câmara é de 2013. O texto avisa que o “PSB não vai alimentar esse debate”. Na prática, acabou fomentando ainda mais interrogações. O material foi enviado após o governador já ter se posicionado, advertindo que saída de Vasquez “não tem nada a ver com essa questão de PSB”, mas sim com a “profissionalização” da equipe técnica do Porto de Suape. A despeito de o chefe do Executivo ter defendido a pauta como administrativa, o partido emitiu nota, opinando, o que soou conflituoso. O detalhe é que mesmo socialistas apontaram incongruência no episódio, até porque Luciano é vice-presidente do PSB-PE. E o próprio dirigente estadual da sigla, Sileno Guedes, deu o seguinte recado, antes de soltar a nota: “Quem faz as críticas que ele (Luciano) fez ao governador e ao Governo, certamente, já devia ter saído”. Em reserva, um graduado socialista resume assim: “Não tem como tirar conotação política. Tem que assumir. Quem não concordar com as coisas saia”. Luciano assumiu, publicamente, postura crítica em relação ao partido e chegou a pregar a volta de Ana Arraes à política como forma de “reunificar as forças” na legenda, deixando, no ar, que o governador não teria liderança suficiente. A exoneração deu-se nesse bojo. Em política, os gestos ou a falta deles, em geral, não são fruto de coincidência.

“Se o governador não age, dizem que é bonzinho demais. Se ele se impõe, também falam”, pontua um palaciano

As voltas que a...
Em meio ao imbróglio que envolveu a exoneração de Vasquez, um governista de livre trânsito no Palácio das Princesas recorda: “João Lyra (enquanto governador, em 2014) exonerou Thiago Norões. Foi Luciano que comunicou que ele estava exonerado da Procuradoria Geral do Estado”.
...política dá > A mesma fonte prossegue: “Essa questão do posicionamento de Sandra (Norões), eu não entendi. Ela esqueceu que esse mesmo pessoal foi quem tirou o marido dela do governo”. Ao abordar a saída de Luciano, Paulo Câmara registrou que a decisão deu-se após conversa com o secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente de Suape, Thiago Norões, cuja esposa, como registrara a coluna Persona, desta Folha, chegou a aplaudir post na rede social referente à postura de Luciano.
Currículo 1 > Ainda que tenha sido alvo de uma nota do PSB, Luciano Vasquez registra que a assinada por ele “foi dirigida ao governador”. E reage:
“O govenador disse que o problema era o alargamento do Canal do Panamá. Não sou engenheiro. Como vou saber do Canal do Panamá? Eu tenho que sair mesmo. A diretoria era para tratar das relações institucionais com empresas situadas no Complexo de Suape, fazer relação com poderes constituídos, universidades, com corpo diplomático
e assim fiz”.

Currículo 2 > Luciano prossegue: “Entreguei relatório, no início de 2016, das atividades de 2015. Já preparei outro relatório que engloba atividades até o dia 7 de novembro, quando trabalhei. Agora, nunca fui sondado para atividade no Canal do Panamá”. E ironiza: “Posso fazer experiência na Adutora do Agreste, no Canal do Sertão”.
Cofrinho > Vasquez alfineta: “O orçamento da diretoria não chega a R$ 17 mil ao ano. Não dá para comprar passagem para ir ao Panamá, fazer esse Canal não. Minha atividade era meio e não fim. Tem decreto de criação, dizendo minhas atribuições”.

Trégua > Na segunda, será ponto facultativo para os servidores do Estado. Informação sai, hoje, no DO.

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