Esquema foi montado para“blindar” políticos

Agentes da Polícia Legislativa teriam resistido às ações e tinham medo de ser confundidos com “espiões”

Vado da Farmácia administrou a cidade de 2013 a 2016Vado da Farmácia administrou a cidade de 2013 a 2016 - Foto: Divulgação

 

A Operação Métis teve origem em uma “notícia-crime” de dez páginas, encaminhada à Polícia Federal, pelo também policial legislativo Paulo Igor Bosco Silva. Ele informou sobre as atividades suspeitas da Polícia do Senado, com o intuito de proteger parlamentares, e denunciou o seu superior, Pedro Ricardo Carvalho, preso nesta sexta.

O policial legislativo Geraldo César de Deus Oliveira, que também foi detido, afirmou inclusive ter resistido às ordens de varredura contra grampos telefônicos, ordenadas por Carvalho, que é acusado, inclusive, de cárcere privado para proteger o senador Fernando Collor.

“A intenção das medidas determinadas pelo noticiado (Pedro Carvalho) era blindar tais pessoas de medidas destinadas a esclarecer eventuais ilícitos por eles praticados de investigações legítimas conduzidas pelos órgãos federais de persecução criminal”, escreveu Paulo Silva. Ele ainda disse que, ao regressarem de uma varredura realizada em São Luís (MA) na casa de um genro do ex-senador Edison Lobão Filho, os servidores da Polícia do Senado “externaram publicamente, diante de vários colegas do setor, extrema preocupação por terem cumprido a diligência”.
O policial revelou que o serviço foi realizado “no período em que o senador Lobão Filho estava sendo alvo de investigações” da PF. Em depoimento prestado à PF, Paulo Silva confessou que atravessou “um dilema moral”, ao decidir fazer a denúncia e que sempre procurava “escapar dessas ordens” de varredura, pois as considerava ilegais. Ele dizia aos seus superiores que não sabia operar os aparelhos de rastreamento.
Por sua vez, Geraldo Oliveira, solto ainda nesta sexta, por decisão da PF, colocou que temia ser “confundido com espião” e acusado de proteger parlamentares investigados. Ele chegou a manter contato telefônico com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para informar das varreduras. Para manusear os aparelhos, ele e um colega foram aos Estados Unidos e receberam aulas de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O agente também disse que o grupo realiza “uma espécie de proteção especial” a Renan Calheiros, “realizando varreduras onde quer que ele vá ter reuniões”.
Em janeiro de 2015, o Senado gastou pelo menos US$ 127,8 mil (R$ 403 mil) na aquisição dos equipamentos usados para detectar escutas ambientais e grampos telefônicos. Essa compra ocorreu apenas dois meses após a prisão dos primeiros empreiteiros alvos da Lava Jato, entre eles Ricardo Pessoa, da UTC.

Cárcere
No dia 14 de julho de 2015, a PF cumpria um mandado de busca e apreensão em um imóvel de Fernando Collor, quando sete policiais do Senado chegaram ao local tentando obstruir a missão. Os agentes legislativos afirmavam que a ação era ilegal, pediam identificação e apresentação do mandado, tentando impedir o prosseguimento da operação. Depois de seguidas perturbações, quando a equipe deixava o apartamento, Carvalho ori­en­­­tou os outros seis colegas para impedir a saída deles do local.

 

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