Estratégia para driblar PSB-PE

Bruno Araújo e Fernando Filho foram exonerados para evitar que suplentes seguissem orientação de Paulo

Força-G (2009)Força-G (2009) - Foto: Divulgação

 

A agressiva estratégia do presidente Michel Temer (PMDB) para conseguir aprovar o texto base da proposta de emenda à Constituição Federal que congela os gastos federais, passou por uma mudança da composição da bancada pernambucana na votação da Câmara Federal.

Nesta segunda, o Diário Oficial da União trouxe um decreto assinado pelo chefe do Executivo Federal exonerando os ministros de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB), e das Cidades, Bruno Araújo (PSDB). A estratégia era retirar os votos dos suplentes da Câmara Federal Severino Ninho (PSB) e Cleuza Pereira (PSB) - conhecida como Dona Creuza -, que seguiam a orientação do PSB de Pernambuco contra a aprovação da matéria. Re­cém-empossado no Turismo, Marx Beltrão também foi exonerado, uma vez que seu suplente ainda não foi indicado, o que representaria um voto perdido para o presidente.

A mudança pragmática visou, exclusivamente, a votação do teto de gastos e os ministros já voltam a ocupar seus postos nesta terça-feira (11) na Esplanada dos Ministérios, assim como os deputados reassumem suas vagas na Câmara Federal.
Os auxiliares ministeriais fizeram questão de comunicar a decisão do presidente Michel Temer de afastar os parlamentares, diretamente aos suplentes.
Suplentes

A tática usada pelo governo foi “correta”. O suplente de deputado federal, Severino Ninho (PSB), fez questão de divulgar nota na qual criticou a Proposta de Emenda à Constituição. Segundo ele, a manifestação do seu voto contrário à matéria acabou tirando-o da votação no plenário da Câmara Federal. "Nesta terça, independentemente do resultado da votação, quando reassumir o cargo de deputado , continuarei me posicionando contra qualquer iniciativa - seja de quem for - que limite os gastos do Estado com as áreas sociais. Não podemos aceitar esse retrocesso", disse.
O socialista criticou que a proposta do Executivo retira gastos nas áreas sociais, mas não retira os benefícios do setor financeiro. "A crise fiscal existe só para investir em infraestrutura, em assistência social. Mas não há crise para pagar banqueiros, que custam ao País cerca de R$ 2,5 bilhões por dia. Quem realmente tem sensibilidade social não pode votar a favor de uma PEC que vai penalizar ainda mais o povo sofrido, principalmente o nordestino", bateu.
Os ministros da Educação, Mendonça Filho (DEM), e da Defesa, Raul Jungmann (PPS), não foram exonerados porque suas saídas não eram necessárias: o voto de Roberto Teixeira (PP) - suplente de Mendonça - foi favorável à matéria. A volta de todos ministros só renderia três vagas aos pernambucanos, já que Jungmann é o quarto suplente da coligação da Frente Popular e não poderia reassumir.

 

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