'Eu tomei a hidroxicloroquina. Devo dizer que atravessei'

Presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro falou do tema em entrevista à Rádio Folha

Presidente da Folha, Eduardo MonteiroPresidente da Folha, Eduardo Monteiro - Foto: Arthur Mota

Quinze dias após identificar os primeiros sintomas da Covid-19, o presidente do Grupo EQM, Eduardo de Queiroz Monteiro, relata que já se sente bem e que “a disposição está voltando". Ainda cumprindo isolamento, deve repetir os exames para aferir se está livre do vírus. E realça: "Não é uma gripezinha, é uma coisa de muito peso. Quando chega, mexe com o organismo, independente da condição em que se encontra o paciente. Tem paciente que guarda comorbidades, sobrepeso, pressão alta, problemas cardíacos. Não é meu caso". Os primeiros sintomas foram anotados no último dia quatro, era uma segunda-feira. Uma semana antes, havia despachado com um companheiro de trabalho que, posteriormente, testou positivo. "Moleza, febre, a gente sente que algo de anormal se estabeleceu no organismo", enumera Eduardo Monteiro.

Em meio à polêmica estabelecida no País em torno do uso da cloroquina e no momento em que o medicamento está previsto no novo protocolo do Ministério da Saúde, para o uso em pacientes em estágios iniciais de infecção pela Covid-19, Eduardo Monteiro dá um testemunho sobre o tema, conta que se "automedicou", mas adverte: "Não recomendo". Tratou do assunto, ontem, pela primeira vez, em entrevista à Rádio Folha FM 96,7. Ele explica: "Antes ainda do resultado dos exames, já fui, por recomendação médica, fazendo o primeiro tratamento, basicamente, com azitromicina. Devo dizer também que tomei a hidroxicloroquina, de 400 mg". Fez uso da referida medicação por seis dias seguidos. Na útima segunda-feira, o ministro da Saúde interino, Eduardo Pazzuelo, em discurso anual da Organização Mundial de Saúde falou em ajustes de protocolos "baseado em evidências". O medicamento, considerado pelo presidente Jair Bolsonaro uma arma no combate à pandemia, foi pivô da saída de Luiz Henrique Mandetta e de Nelson Teich do Ministério da Saúde. Monteiro diz ver "com tristeza a desarrumação política que o Brasil vive" e argumenta que só é possível sair dessa situação "com o mínimo de convergência". Ainda sobre a questão de Saúde, resume: "Na hora que a gente está diante do monstro, da peste, eu tomei. Não recomendo. Em relação à hidroxicloroquina, me automediquei. Devo dizer que atravessei".

 

Espaço de convergência
Eduardo Monteiro insiste que o País está precisando de "espaço de convergência". E observa: "Se estabelece uma briga diante da vida contra interesses econômicos, quando, na verdade, essas coisas dizem respeito à vida humana. E, dizendo respeito à vida humana, dizem respeito a tudo, inclusive à economia". Então, indaga: “Como existir economia sem vida humana?".
Antes tarde > Ainda na análise de Eduardo Monteiro, a reunião que o presidente Jair Bolsonaro marcou para amanhã com os governadores, como antecipamos, "já podia ter existido". E repisa: "Nessa hora, o que a gente precisa é de racionalidade. É torcer para que a reunião construa o mínimo de unidade".
Incerto > No Campo das Princesas, após Paulo Câmara testar positivo para Covid-19, auxiliares ainda não dão como certa a participação dele na reunião com o presidente Jair Bolsonaro amanhã. Ontem, testaram positivo: André Longo e Milton Coelho.
Apoio > Wanderson Florêncio conseguiu as 17 assinaturas necessárias para fazer a PEC, que permite a suspensão do recesso parlamentar, tramitar. Deu entrada na última segunda. Até o final da semana, ela deve ser publicada no DO para começar a tramitar pela CCJL. 

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