Ex-governador Azeredo é considerado foragido pela Polícia Civil de Minas

Azeredo, 69, teve o mandato de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça na tarde desta terça (22). Ele foi condenado a 20 anos e 1 mês de prisão por peculato e lavagem de dinheiro no esquema do mensalão tucano.

Eduardo AzeredoEduardo Azeredo - Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) já é considerado foragido pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (23).

Azeredo, 69, teve o mandato de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça na tarde desta terça (22). Ele foi condenado a 20 anos e 1 mês de prisão por peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro no esquema do mensalão tucano.

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A Polícia Civil não sabe o paradeiro de Azeredo e não consegue contato com os advogados. Na noite de terça, havia uma negociação em curso para que ele se entregasse, o que pode acontecer em qualquer delegacia.

Nesta quarta, policiais estão nas ruas em busca do tucano em Belo Horizonte. Há policiais em frente o apartamento de Azeredo, mas ele não aparece no local desde a tarde de terça.

Em seu julgamento, o Tribunal de Justiça seguiu o entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) de que o cumprimento da pena deve começar após a condenação em segunda instância.

Azeredo perdeu todos os recursos na corte, inclusive os embargos de declaração julgados nesta terça - considerado o último recurso possível antes da prisão.

A defesa ainda aguarda decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre pedidos de habeas corpus.

O caso

Azeredo foi inicialmente condenado em 2015, mas recorreu ao Tribunal de Justiça. Em agosto passado, por dois votos a um, os desembargadores mantiveram a condenação em segunda instância.

Desde então, Azeredo teve dois recursos negados no TJ - o último no dia 24.

A denúncia oferecida em 2007 pela Procuradoria-Geral da República, quando Azeredo ocupava o cargo de senador, acusa o tucano de desviar R$ 3,5 milhões de empresas estatais de Minas (Copasa, Comig e Bemge) para financiar sua campanha.

As empresas pagaram os valores para a SMP&B, do publicitário Marcos Valério, para supostamente patrocinar três eventos esportivos. A orientação para que as estatais concedessem o patrocínio partiu da Secretaria de Comunicação do governo.

As investigações mostram, porém, que os recursos foram usados para cobrir empréstimos da campanha junto ao Banco Rural.

O processo de Azeredo teve início no STF, com o acolhimento da denúncia em 2009. Em 2014, quando a ação estava pronta para ser julgada e o tucano era deputado federal, ele renunciou ao cargo, numa estratégia para voltar à primeira instância e retardar o fim do processo.

Outros acusados no mensalão tucano
Condenados em primeira instância, podem recorrer em liberdade:
- Renato Caporali Cordeiro, ex-diretor de estatal;
- Eduardo Pereira Guedes Neto, ex-secretário adjunto de Comunicação;
- Clésio de Andrade, ex-senador de Minas (PSDB).

Julgamento em primeira instância próximo:
- Marcos Valério, publicitário;
- Ramon Hollerbach, sócio;
- Cristiano Paz, sócio.

Punibilidade extinta por prescrição:
- Walfrido dos Mares Guia, ex-vice-governador de Minas;
- Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha de Azeredo;
- Lauro Wilson, ex-diretor de estatal.

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