Ex-ministros petistas contestam indicação de Moro para Superministério

Para eles, ao aceitar o cargo, Moro demonstra sua parcialidade nos julgamentos de Lula

Ex-ministro José Eduardo CardozoEx-ministro José Eduardo Cardozo - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O ex-ministro Ministro das Relações exteriores no governo Lula, Celso Amorim e o ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff (PT), José Eduardo Cardozo, criticaram, nesta quinta-feira (1º), a indicação do juiz Sérgio Moro para os Ministérios da Justiça e da Segurança Pública, que no governo de Jair Bolsonaro serão uma única pasta.

Ministro das Relações exteriores no governo Lula e atuante na campanha internacional pela libertação do ex-presidente, Celso Amorim classificou a decisão como espantosa. "Apenas confirma todas as suspeitas de que o juiz Sérgio Moro tenha partido e outros objetivos". Segundo Amorim, seu comportamento é duvidoso: "É como o juiz do Flamengo e Vasco virar presidente de um dos clubes", diz Amorim.

Atuante na campanha internacional pela libertação do ex-presidente, Celso Amorim se disse surpreso e que estava "estupefato, absolutamente espantado" com a ida do magistrado para um governo com o qual ele colaborou indiretamente, com suas decisões.

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José Eduardo Cardozo comentou sobre a escolha de Moro sob o ponto de vista da isenção política que seria necessária ao magistrado. "Eu nunca vi nada parecido na história da magistratura. Curiosamente, aquele juiz que se dizia imparcial e isento aceita cargo num governo que ele ajudou indiretamente a eleger com suas decisões", afirmou Cardozo.

Segundo Cardozo, o magistrado "decretou a prisão do candidato que àquela altura estava em primeiro lugar, o ex-presidente Lula", lembrou o ex-titular da Justiça. "Depois, às vésperas do primeiro turno, numa decisão controversa, ele liberou a delação do ex-ministro Antonio Palocci, prejudicando um dos lados da disputa." Foram decisões judiciais, sustenta o advogado e professor, que repercutiram no processo eleitoral "de forma clara e irrebatível".

Cardozo reiterou a impressão de colegas de partido de que a ida para o governo Bolsonaro reforça a tese de parcialidade de Moro no caso de Lula. "As pessoas no PT estão espantadas. Eu imaginava que, até por prudência, não haveria a aceitação do convite. Há um estado de perplexidade, de assombro." Na opinião dele, as repercussões internacionais devem repetir a incredulidade com a forma "como as instituições brasileiras têm se comportado".

Um agravante, afirma Cardozo, é que conversas sobre a eventual participação do juiz no governo tenham começado ainda durante a campanha, como revelou o vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão (PRTB). "É alarmante que o diálogo com um juiz que tomou as decisões que tomou tenha se iniciado antes mesmo da decisão do povo brasileiro."

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