Ex-secretário do Rio reforça tese de organização criminosa do PMDB, diz Bretas

Bethlem teve forte atuação tanto no governo Sérgio Cabral, preso desde novembro, como na gestão Eduardo Paes (PMDB)

Ex-deputado Rodrigo Bethlem, alvo de operação da Polícia FederalEx-deputado Rodrigo Bethlem, alvo de operação da Polícia Federal - Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados

O juiz Marcelo Bretas afirmou em sua decisão que as suspeitas contra o ex-deputado Rodrigo Bethlem, alvo de operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (15), reforça a tese de que exista "uma extensão da organização criminosa" do PMDB do Rio na capital.

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Bethlem teve forte atuação tanto no governo Sérgio Cabral, preso desde novembro, como na gestão Eduardo Paes (PMDB). No Estado, foi secretário estadual de Governo e formatou a Operação Lei Seca. No município, era uma espécie de braço direito do ex-prefeito na Ordem Pública e, em seguida, na Assistência Social.

"Observa-se que o atual esquema delituoso seria, na verdade, uma organização criminosa composta por membros do PMDB/RJ, considerando ainda que, não por acaso, por muitos anos tanto o Estado quanto o município do Rio de Janeiro foram comandados por esse mesmo grupo político", diz Bretas em sua decisão.

A hipótese foi levantada na Operação Rio 40º, que prendeu o ex-secretário de Obras Alexandre Pinto. Contudo, havia poucas conexões claras entre o esquema estadual com o municipal - além do fato dos dois poderes terem sido comandados por peemedebistas.

O ex-prefeito mais uma vez não é alvo da operação. Porém, desta vez é citado por oito vezes no pedido de busca e apreensão do Ministério Público Federal, inclusive com uma charge reproduzida.

Bretas também indica que Bethlem atua "como aparente 'ponte de transição' entre o governo municipal passado e o atual", em referência à gestão Marcelo Crivella (PRB).

"Bethlem, em tese, vem atuando como intermediário dos empresários do ramo dos transportes, a fim de garantir que as regalias (e pagamentos) continuassem em 2017 com o novo governo municipal. É ver que Rodrigo possui influência no meio político (governos estadual e municipal) e, aparentemente, realizava (e ainda realiza) a mediação entre os interesses dos empresários do setor dos transportes com os agentes políticos", escreveu o magistrado.

O ex-deputado enviou mensagem no último dia 28 de dezembro a Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor preso na Operação Ponto Final, dizendo que "tranquilizasse a 'turma', pois o esquema seria supostamente mantido, ao que tudo indica, pela atual administração municipal".

"Meu amigo garantiu que se o atual fizer ele mantém. Entendeu?", escreveu Bethlem a Teixeira, pouco depois de pedir um encontro "urgente".

Bretas autorizou o afastamento do sigilo bancário, fiscal, telemáticos e telefônicos do ex-deputado e empresas ligadas a ele.

OUTRO LADO
Em nota, Paes afirmou que "a operação de hoje não guarda qualquer relação com o período em que Rodrigo Bethlem foi secretário do governo do ex-prefeito".

"Aliás ele já não mantém relações políticas com o ex-prefeito Eduardo Paes desde 2014, tendo inclusive apoiado a eleição do atual prefeito", diz a nota.

A gestão Crivella, por sua vez, declarou em nota que "repudia com veemência as insinuações descabidas de qualquer possibilidade de escândalos no setor de transporte do governo anterior ter continuado na atual gestão".

A prefeitura disse ainda "que no mês passado conseguiu impedir novamente o aumento da tarifa de ônibus urbanos do município, contrariando a reivindicação dos empresários e até decisão de primeira instância da justiça".

"A gestão municipal, sempre à disposição das autoridades, é pautada pela transparência e respeito às leis", afirma a nota do município.

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