Fachin pede para preservar o STF em meio à crise
Revelação de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes deflagra crise no STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fachin, pediu, nesta quarta-feira (2), para “preservar a integridade” da instituição, que está mergulhada em uma grave crise após revelações sobre os vínculos do ministro Alexandre de Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraude, e prometeu tomar as “medidas cabíveis”.
A crise eclodiu na terça-feira, quando foi divulgado um relatório da Polícia Federal contendo uma série de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes, aparentemente com o objetivo de interromper a investigação que levou à sua prisão em novembro.
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“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição”, afirmou o ministro Luiz Fachin em um comunicado.
“A elevada autoridade do cargo não confere privilégios”, acrescentou Fachin, sem mencionar Moraes ou André Mendonça, o ministro do STF a cargo do caso e que publicou as informações.
Moraes presidiu o julgamento por tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), que foi condenado a mais de 27 anos de prisão.
Fachin afirmou que anunciará “as medidas cabíveis” nos próximos dias, após analisar todos os elementos do caso.
As revelações acontecem poucas semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro, que colocarão frente à frente o presidente em exercício Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusou Mendonça de abuso de autoridade ao interrogar um colega ministro e solicitou a “nulidade” do relatório policial.
O documento contém várias mensagens enviadas para Moraes por Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado após uma fraude robusta.
Em uma delas, nos dias anteriores à sua prisão, o banqueiro lhe perguntou se devia deixar o país: "Acha que segunda já tenho que estar fora?".
As respostas de Moraes não constam do relatório policial.
Na terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro qualificou as revelações como “sepulturas” e disse que, se for confirmado, “não há nenhuma condição mais o ministro do Alexandre Moraes continue na Suprema Corte”.
Frequentemente elogiado pela esquerda, Moraes é considerado um inimigo pelos conservadores, que o acusa de parcialidade.
O STF sofreu um desgaste gradativo com o escândalo do Banco Master.
Mendonça foi nomeado ministro do Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em fevereiro, ele substituiu o ministro Dias Toffoli como relator do caso, depois de revelações sobre vínculos entre este último e o entorno de Vorcaro.
Mendonça, por sua vez, permitiu ter se reunido com Vorcaro uma vez, em março de 2025, a pedido do empresário.
Segundo um comunicado de seu gabinete, a reunião disse respeitosamente a uma disputa judicial relacionada ao banco, que estava sob análise do tribunal na época, e ressaltou que sua decisão naquele caso foi de interesse aos interesses do Banco Master.

