Farra das Passagens atinge base de Temer

Escândalo veio à tona em 2009 e foi denunciado pela Procuradoria da República da 1° Região

Mariana Ribas e Diogo Moraes em reuniãoMariana Ribas e Diogo Moraes em reunião - Foto: Divulgação

 

O escândalo conhecido como a “Farra das Passagens”, denunciado pela Procuradoria da República da 1ª Região, atingiu lideranças de partidos que integram da base do governo Michel Temer (PMDB). O escândalo veio à tona em 2009, quando foi revelado que 443 parlamentares usavam suas verbas de passagem aérea para custear viagens particulares no Brasil e no exterior para os próprios parlamentares, além de parentes e outras pessoas. Alguns deles gastaram mais de R$ 100 mil com a emissão irregular de bilhetes entre 2007 e 2009, segundo o MPF. Não foi informado, no entanto, quanto cada ex-deputado gastou com passagens para terceiros.
Na ocasião, o argumento dos congressistas foi o de que não havia, entre as normas que regulavam o uso da cota, uma vedação explícita à prática. Os únicos efeitos foram a edição de regra proibindo a doação dos bilhetes aéreos para parentes e terceiros, além da divulgação dos dados sobre o uso das passagens na internet.
Entre os denunciados que integram o Palácio do Planalto, estão o homem forte do Governo e secretário do Programa de Parcerias de Investimentos do governo, Moreira Franco (PMDB), o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e o ex-deputado Fá­bio Faria (PMN).
O presidente Michel Temer (PMDB), que comandava a Câmara dos Deputados na ocasião, teve seu nome envolvido no escândalo. Ele usou sua cota para viagem de turismo a Porto Seguro (BA) com a mulher, familiares e amigos. À época, Temer afirmou que “o crédito era do parlamentar, inexistindo regras claras definindo os limites da sua utilização”. Temer não foi citado na recente denúncia do Ministério Público Federal. Por ter foro privilegiado, ele só pode ser alvo de investigação da Procuradoria-Geral da República.
Além de governistas, a denúncia atinge ainda os ex-deputados Antonio Palocci (PT) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presos na Lava-Jato, além do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), ainda Luciano Genro (PSOL). A denúncia atinge também os pernambucanos Raul Henry (PMDB), vice-governador do Estado, Fernando Ferro (PT), Paulo Rubem Santiago, e Renildo Calheiros (PCdoB), prefeito de Olinda, Edgar Moury (ex-PMDB, atual PSB) e Salatiel Carvalho (PMDB), entre outros.
A investigação começou em 2006, voltada para gabinetes de deputados que estariam vendendo passagens de sua cota parlamentar a empresas de turismo. A apuração inicialmente foi difícil porque a Câmara não tinha os registros das passagens emitidas.

As companhias aéreas Gol e TAM forneceram, então, a relação completa de bilhetes emitidos.
 
Respostas
Procurados, Moreira Franco, Ciro Gomes e ACM Neto negaram ter cometido irregularidades. A reportagem entrou em contato com os pernambucanos investigados, porém não obteve respostas.

 

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