Favoritismo de Tadeu Alencar não vingou

A deputada Tereza Cristina (PSB-MT) venceu a disputa com 22 votos contra 14 do parlamentar pernambucano

Candidata de Temer tirou liderança do PSB de TadeuCandidata de Temer tirou liderança do PSB de Tadeu - Foto: Arthur Mota /Arquivo Folha

 

O favoritismo do deputado federal Tadeu Alencar (PSB) não se concretizou na eleição para novo líder da bancada do PSB. A deputada Tereza Cristina (PSB-MT) venceu a disputa com 22 votos contra 14 do parlamentar pernambucano. Nos bastidores, a pressão do ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB), teria influenciado na votação, que tendia a ser acirrada, mas acabou dando vitória larga a mato-grossense.

Vice-líder do Governo Temer na Câmara Federal, a posição da parlamentar mais alinhada ao governo pesou diante da independência pregada por Alencar. Nos bastidores, a influência e atuação de Fernando Filho causou incômodo da ala mais independente da sigla.

Informações de bastidores dão conta de que o ministro teria se envolvido na disputa, ligando para deputados, governadores e aliados pressionando a favor de Cristina. Até as últimas horas, os deputados tentaram chegar em vão a um consenso e o bate-chapa acabou ocorrendo. Em seu discurso, Tadeu chegou a defender que não queria ser líder se a bancada fosse, automaticamente, ligada ao Governo e defendeu a independência.

"Não foi o resultado que gostaríamos, mas vamos tocar a vida e continuar defendendo a independência", disse Alencar, que tinha apoio velado do presidente do PSB, Carlos Siqueira, e do governador Paulo Câmara. O secretário de Turismo, Felipe Carreras, chegou a reforçar a candidatura de Alencar ao pedir exoneração para voltar à Câmara.

Tadeu Alencar acabou sofrendo com o récuo de deputados que tinham declarado apoio ao seu nome, mas que acabaram votando em Tereza. João Fernando Coutinho teria sido um dos nomes que não votou nele, mesmo a bancada pernambucana tendo fechado com Alencar.

Procurado,afirmou que defendeu o consenso até o último minuto na bancada, mas preferiu não revelar o voto. "O voto é secreto, prefiro reservar esse meu direito até porque tenho pretensões na Casa. Tanto Tadeu quanto Cristina sabem qual foi o meu voto", disse. Em reserva, outro parlamentar foi na posição contrária. “A interferência excessiva do governo pode acabar afetando a relação do presidente com a bancada do PSB. Temer poderia ter o apoio dos 34, mas vai acabar ficando só os 22”.

 

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