Geddel estava 'defendendo a Bahia', diz Jucá sobre acusações

Líder do governo Temer no Senado disse ainda que o escândalo não trará dificuldades ao governo para aprovar a PEC 55

Senador Romero Jucá e ministro da Fazenda, Henrique MeirellesSenador Romero Jucá e ministro da Fazenda, Henrique Meirelles - Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse, neste sábado (26), que o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) não usou o cargo para atuar em benefício pessoal.
Para Jucá, Geddel estava "defendendo a Bahia, defendendo Salvador" quando conversou com Marcelo Calero, então ministro da Cultura, para que aprovasse a construção de um empreendimento imobiliário de 30 andares em área com bens tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em Salvador.
Geddel possui um apartamento no empreendimento e seus familiares representam o prédio em ação contra o Iphan.
Geddel pediu demissão na última sexta-feira (25) para evitar que o caso afetasse ainda mais o presidente Michel Temer (PMDB), a quem Calero também acusa de tê-lo pressionado no caso.
Jucá afirma que Temer apenas tentou "cobrar uma posição e solicitar uma decisão" ao sugerir a Calero buscasse uma solução com a AGU (Advocacia-Geral da União).
"Não houve corrupção do presidente ou da estrutura de governo para definir uma solução. Houve, sim, pressão do ministro Geddel para que fosse a Advocacia-Geral da União a arbitrar [sobre] uma diferença de posicionamento entre técnicos do Iphan da Bahia e técnicos do Iphan nacional", afirmou Jucá.
O senador esteve em Porto Alegre para participar do 1º Ciclo de Debates com Prefeitos, promovido pelo núcleo gaúcho da Fundação Ulysses Guimarães. Na ocasião, Jucá anunciou que o PMDB quer mudar de nome e retomar o 'MDB', usado no período da ditadura militar.
O senador disse ainda que a questão não envolve mais o governo uma vez que Geddel pediu demissão. "Quem não pode pagar o pato é o governo que não tem nada a ver com essa briga pessoal", defendeu.
Medidas
Jucá, que é líder do governo Temer no Senado, disse ainda que o escândalo não trará dificuldades ao governo para aprovar a PEC 55, que limita os gastos públicos. Essa PEC é fundamental. A alternativa era o que queria o governo anterior: criar a CPMF. "[Essa é] A PEC da não criação de impostos, não queremos aumentar os custos da sociedade, queremos aumentar os custos do governo", disse o senador, acrescentando que é a alternativa que o governo encontrou para evitar a volta da CPMF.
Sobre os protestos contra a PEC 55 que tomam conta de todo o país, Jucá disse que são "legítimos" e que o governo "deve aprender com eles".
Além disso, o peemedebista comentou a questão da repatriação de bens e nega que tenha havido uma manobra para beneficiar parentes de políticos. Segundo ele, proibir que parentes de políticos possam fazer a repatriação é inconstitucional e "prejudicaria 7,5 milhões de pessoas que são parentes de cerca de 500 mil entes públicos em todo o país".
Jucá disse que, quando o PT pediu a exclusão dos dispositivos do texto que regulavam a repatriação, "descobriu que não sabe fazer legislação".
"O que pediram foi errado. O pediram, nós aprovamos. O que ficou é que parentes podem desde que o recurso sejam lícitos, provados junto à receita federal."
O senador também comentou sobre o conteúdo da gravação revelada pela Folha, onde falava em "pacto nacional" para, segundo investigadores, "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato. A divulgação dos áudios resultou na sua saída do Ministério do Planejamento –a primeira baixa no governo Temer.
Jucá alega que defende a atuação da Lava Jato e que se referia à crise do governo de Dilma Rousseff (PT).
"Em nenhum momento falei em abafar a operação Lava Jato", disse.

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