Gesto de Bolsonaro a FBC é registrado no "day after"
Entrevista do presidente foi anotada como mudança de postura e teria feito FBC repensar permanência
Se a exaltação do ministro Sergio Moro como "símbolo do meu país" feita pelo presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas não havia sido bem digerida no Congresso Nacional, uma entrevista de Bolsonaro ao Correio Braziliense, concedida ainda em Nova York, foi registrada como um gesto na direção do líder do governo na Casa Alta, Fernando Bezerra Coelho. Indagado sobre qual seria sua missão na volta para casa, se "Previdência, Tributária ou Fernando Bezerra", o presidente da República devolveu, primeiro, que a Previdência está no Senado e que "parece que passou para semana que vem". Em seguida, emendou: "Eu não tirei o Fernando Bezerra de lá. Quero algo mais concreto. Não posso -- com uma busca e apreensão, um processo antigo, e nós sabíamos que tinha esse processo -- tirá-lo de lá. Ele tem todo o direito de se defender e tem feito, até o presente momento, um brilhante trabalho para nós, dentro do Senado. É uma função ingrata, difícil, dá trabalho conversar com parlamentares dos mais diferentes matizes". Fernando foi alvo da operação Desintegração na última quinta-feira. Em função disso, colocou o cargo à disposição. Deu-se, posteriormente, um silêncio do presidente, associado a rumores de que ele só ficaria na liderança "por enquanto".
O Congresso Nacional, por sua vez, reagiu antecipando a sessão para análise dos vetos à Lei de Abuso de Autoridade e derrubando 18 deles. Antes, FBC subiu à tribuna e também deu seu recado sobre as investigações da Polícia Federal. Parlamentares, nas coxias, chegaram a ler, após Bolsonaro exaltar Moro, que o presidente teria escolhido o lado dos "lavajatistas". Ontem, Augusto Aras foi aprovado, em plenário, para Procuradoria Geral da República por 68 votos, numa confirmação do trabalho de FBC na liderança, outro ponto do "day after", que teve, no entanto, a quebra do silêncio de Bolsonaro sobre o líder como motivo pricipal para que Fernando colocasse em "stand by" o plano de entregar o cargo em definitivo, como chegou a estudar.

