Governador adota expressão 'isolamento rígido' para nova fase

Paulo Câmara tem dito que a "grande diferença" são bancos funcionando

Paulo Câmara, Governador de PernambucoPaulo Câmara, Governador de Pernambuco - Foto: (foto: Julya Caminha)

Em conversas com auxiliares, o governador Paulo Câmara tem adotado, nos últimos dias, uma expressão que já vem sendo aplicada no Ceará para descrever a nova fase que Pernambuco enfrentará no combate ao novo coronavírus: o "isolamento social rígido". A pessoas próximas, o socialista disse considerar o termo o mais "apropriado" para descrever o momento em que restrições serão intensificadas. A interlocutores, ele tem realçado que não se trata de um "lockdown" e cita uma "grande diferença" entre o fechamento total, designado pelo termo em inglês, e o quadro de "isolamento rígido", ao qual terá que recorrer no Estado: agências bancárias seguirão funcionando. Integrantes do governo relatam, à coluna, que o governador tem repisado duas coisas.

A primeira é que "a população mais pobre não pode ser penalizada", referindo-se à manutenção dos bancos em atividade. Em reserva, um palaciano observa que, no mínimo, caso se optasse pelo lockdown, o volume de pessoas nas agências da Caixa Econômica Federal, por exemplo, não poderia ser mantido. A segunda questão na qual o governador tem insistido é o seguinte: serviços essenciais serão mantidos. Aí, estão incluídos: alimentação, farmácias, bancos. "Isto não tem como proibir", cravou Paulo Câmara em reunião sobre o tema, segundo presentes. O acesso aos serviços essenciais estará permitido, mas não haverá liberdade, segundo uma fonte palaciana explica, para, por exemplo, a pessoa morar em Boa Viagem e recorrer a uma farmácia em Olinda.

O uso de máscaras passa a ser obrigatório. Um passo a passo se deu nos últimos dias para que um anúncio das novas medidas que marcarão o "isolamento social rígido" possa ser feito. Na última segunda, o governador reuniu-se com os presidentes de poderes. Ontem, o encontro voltou a se repetir com as mesmas autoridades: os presidentes Fernando Cerqueira (TJPE), Eriberto Medeiros (Alepe), Dirceu Rodolfo (TCE-PE) e o procurador-Geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros. Na pauta, o chamado "isolamento social rígido", como o governdor tem definido.

Prévia com Anderson, Geraldo e Lupércio
No roteiro para aderir ao "isolamento social rígido", o governador Paulo Câmara telefonou, na terça-feira para três prefeitos da Região Metropolitana: Anderson Ferreira (Jaboatão), Geraldo Julio (Recife) e Professor Lupércio (Olinda). As equipes estão dialogando.
A CEF > No roteiro de preparativos, houve estudos no sentido de reduzir as aglomerações em agências da CEF. O diálogo passou por abertura de escolas estaduais para serem utilizadas como pontos de informação, abertura de agências em shoppings e pagamentos do auxílio emergencial por qualquer bandeira bancária.
Pedido do MP > O promotor de Justiça, Solon Ivo da Silva Filho, protocolou ação, ontem, requerendo que o Governo do Estado adote providências imediatas de "isolamento/distanciamento rígidas e contundentes". Deu 15 dias inicialmente para aplicação.
Centrão 1 > Nos corredores do Palácio das Princesas, a nomeação de Fernando Leão para o Dnocs, publicada no DOU de ontem, foi recebida com surpresa. Até então, ele era gerente Geral do Procon-PE. Filiado ao Avante, Fernando é parente do deputados Rogério Leão (estadual) e Sebastião Oliveira (federal).
Centrão 2 > A acomodação se dá na esteira de outra que abriu as movimentações do centrão/governo Bolsonaro em Pernambuco: a CBTU saiu da cota do Republicanos-PE, presidido por Silvio Costa Filho, para integrar a do PSC-PE, presidido por André Ferreira. Como antecipamos, a troca teve Jaboatão como pano de fundo.

 

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