Governadores discutem saídas

Receosos com a crise que travou pautas estratégicas para os estados, gestores agendam reunião para a próxima terça-feira

Câmara: encontro entre gestores é fundamental para fazer o Brasil voltar a caminharCâmara: encontro entre gestores é fundamental para fazer o Brasil voltar a caminhar - Foto: Wagner Ramos - SEI

Em meio ao aprofundamento da crise política, governadores brasileiros tentam manter a estabilidade das suas administrações em um cenário de incertezas. A preocupação levará os gestores à mesa para debater saídas para o País. Uma pré-agenda foi marcada para a próxima terça-feira. O objetivo é garantir a continuidade de pautas estratégicas no Congresso Nacional, afetando as administrações estaduais.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, é um dos organizadores do encontro. Ontem, ele ligou para o governador pernambucano, a fim de convidá-lo para o encontro. Para Paulo Câmara, a agenda deverá definir as prioridades dos estados para retomar a estabilidade do País. Tanto Câmara quanto Rollemberg participaram da reunião da Executiva Nacional do PSB que bateu o martelo sobre o rompimento da sigla com o Governo Temer.

"É importante ter um encontro para analisar o que está acontecondo no País, além de repassar, novamente, ao Parlamento, as nossas prioridades, coisas que são importantes e necessárias nesse momento para que o Brasil possa andar e voltar a funcionar. A gente, como governador, tem o dever, também, de pedir alternativas e contribuir com o debate", ressaltou Câmara, após entrega de insígnias aos oficiais, subtenentes e sargentos da PM recém-promovidos, ontem.

Pela manhã, o governador manifestou preocupação com os confrontos na manifestação das centrais sindicais e movimentos sociais na Esplanada dos Ministérios. O chefe do Executivo avaliou como preocupante a situação na capital federal e defendeu a busca por entendimento para o País sair da crise. "A gente espera que haja respostas mais rápidas e que fatos como o que aconteceram ontem (anteontem) em Brasília não voltem a se repetir. Cenas lamentáveis, depredações de prédios públicos, um momento muito complicado. A gente espera que haja capacidade de entendimento, de sentar na mesa e buscar saídas", opinou.

Interrupção
O clima de indefinição no cenário nacional levou o governador a suspender temporariamente o programa Pernambuco em Ação. Com a imprevisibilidade das agendas de Brasília, ele deixará as próximas rodadas do programa para o próximo mês. No roteiro do gestor, resta percorrer apenas as regiões do Sertão do São Francisco, Agreste Central e Região Metropolitana do Recife. Na semana passada, ele cancelou a edição do seminário programada para Caruaru.

"Nesses próximos dias não haverá viagens, até porque são muitas negociações acontecendo em Brasília. É importante destacar que, nesse momento que o País vive, o governador Paulo Câmara já foi a nove regiões de desenvolvimento, prestando contas do seu governo, mostrando o que fez e as dificuldades enfrentadas. Já foram mais de R$ 3 bilhões investidos mesmo com a crise", afirmou o secretário estadual de Planejamento, Márcio Stefani, responsável pelo programa.

Mudança prioriza área hídrica 

 O secretário de Planejamento, Márcio Stefanni, afirmou que as mudanças para deslocar a secretaria-executiva de Recursos Hídricos de Desenvolvimento Econômico para a sua pasta visa priorizar a área e dar mais efetividade a captação de investimentos.

A estrutura de Stefani é, justamente, a responsável pela atração de novos recursos. O nome do coronel Mário Cavalcanti no posto também está mantido. A água é uma das prioridades do Governo Câmara e já recebeu cerca de R$ 800 milhões de recursos durante o seu mandato. "A área de recursos hídricos é uma área estratégica. Foi um entendimento do governador de que a água vai além do desenvolvimento econômico. Planejamento tem uma visão geral do Estado, o planejamento olha e pensa para o futuro. Recebemos de bom grado essa deliberação do governador.

O Brasil vive um dos piores momentos da crise hídrica. Já temos contato com organismos que financiam obras como BNDES e outros bancos. A captação de recursos está na Seplag. Então, acho que foi pelo caminho da visão do longo prazo, além do econômico", avaliou Márcio. Outra alteração promovida pelo governador foi o deslocamento da administração de Fernando de Noronha para a secretaria de Meio Ambiente.

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