Governadores querem segurar votações para evitar contaminação

Participantes do encontro disseram à reportagem que, durante o jantar, houve uma sinalização dos dois presidentes de que há sintonia entre eles a pauta dos estados

Governadores afirmaram que houve uma sinalização dos dois presidentes de que há sintonia entre eles a pauta dos estadosGovernadores afirmaram que houve uma sinalização dos dois presidentes de que há sintonia entre eles a pauta dos estados - Foto: Divulgação

Diante da crise enfrentada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, governadores querem evitar que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pautem projetos de interesse dos estados que tenham digital do Palácio do Planalto.

Governadores de 13 estados (BA, RJ, PA, PE, RS, ES, PI, RN, SC, SE, AM, MS e AP) e do DF reuniram-se na noite de terça-feira (19) em um jantar oferecido por Davi na residência oficial da presidência do Senado.

Participantes do encontro disseram à reportagem que, durante o jantar, houve uma sinalização dos dois presidentes de que há sintonia entre eles a pauta dos estados, como os projetos que tratam da securitização da dívida, cessão onerosa, reforma da Previdência que envolva as Unidades da Federação e a regulamentação da Lei Kandir, que trata de repasses da União como forma de compensar a desoneração das exportações.

Em conversas paralelas durante a noite, governadores disseram estar constatando que o governo federal passa por um processo de "degradação acelerada", principalmente na relação com o Congresso Nacional.

Nesta segunda-feira (18), o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, caiu após uma crise instalada no Palácio do Planalto com a revelação pela Folha de S.Paulo da existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral.

O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.

Na terça-feira, a crise aumentou com a divulgação de áudios que confrontam a versão do presidente de que ele não havia falado com Bebianno em 12 de fevereiro, quando estava internado em São Paulo.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, Bebianno aumentou o desgaste com Bolsonaro ao afirmar que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhos do presidente, foi o responsável pela sua demissão do governo e que ele fez "macumba psicológica" na cabeça do pai.

Neste mesmo dia, a Câmara infligiu a primeira derrota ao governo, derrubando o decreto que alterou as regras da Lei de Acesso à Informação.

Deputados reclamam da falta de interlocução com o governo. Criticam a atuação do líder do governo na Câmara, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), e chegaram a ameaçar uma rebelião porque o Executivo iria apresentar o texto da reforma da Previdência primeiro aos governadores e, somente depois, aos líderes partidários.

De última hora, o Palácio do Planalto resolveu incluir congressistas na apresentação da manhã desta quarta-feira (20).

É justamente por causa deste clima hostil que governadores não querem que nenhum projeto defendido pelo Palácio do Planalto e que possa ser de interesse dos estados seja colocado em pauta no Congresso.

O entendimento dos governadores é que, antes do Carnaval, qualquer matéria que tenha as digitais do governo federal será derrotada.

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