Governistas minimizam crise e entregam carta de apoio a Geddel

A reunião teve direito a discurso do líder do governo, André Moura (PSC-SE), e a um tímido e constrangido agradecimento de Geddel

Luciano SiqueiraLuciano Siqueira - Foto: Reprodução/Facebook

Líderes da base do governo Michel Temer na Câmara minimizaram a denúncia contra o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e entregaram a ele, na tarde desta terça-feira (22), um manifesto de apoio.

A reunião, que contou com 16 deputados, teve direito a discurso do líder do governo, André Moura (PSC-SE), e a um tímido e constrangido agradecimento de Geddel.

"Neste manifesto, estamos deixando claro nosso amplo e irrestrito apoio, a nossa confiança no seu trabalho, no trabalho que você vem realizando à frente da Secretaria de Governo", disse Moura. "Receba aqui o nosso irrestrito e total apoio, a nossa solidariedade em nome dos líderes da base e dos vice-líderes do governo", afirmou.

Antes de entrar no gabinete de Geddel, Moura já havia minimizado a denúncia feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de que Geddel o teria pressionado a produzir um parecer técnico para para liberar a construção de um prédio no qual adquiriu um apartamento. Geddel é investigado pela Comissão de Ética da Presidência da República.

"É uma questão pontual. O que não podemos admitir é que, de uma situação tão pequena, se faça uma tempestade como a que está sendo feita. O ministro Geddel tem toda legitimidade e todo apoio de nossa base para continuar na Secretaria de Governo", afirmou André Moura a jornalistas antes de entregar a carta ao responsável pela interlocução política do Planalto com o Congresso.

O líder do PTB, Jovair Arantes (GO), para quem Calero deu um "piti" ao acusar Geddel, disse que a conduta do ministro não é antiética. Ele procurou relativizar a denúncia de Calero e insinuou que a acusação feita em entrevista à Folha de S.Paulo tem motivações políticas. "Não fere a ética um ministro mentir e dizer que outro ministro pediu uma coisa que não pediu?", questionou Jovair em entrevista.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Geddel reconheceu que tratou com o Marcelo Calero sobre um projeto imobiliário na Bahia, mas negou que o tenha pressionado a produzir um parecer técnico para liberar o empreendimento.

Ele confirmou que, no ano passado, fez uma promessa de compra e venda de uma unidade no condomínio e afirma que, justamente por ter conhecimento do impasse imobiliário, tinha legitimidade para levar a questão ao então ministro da Cultura.

Carta
A carta entregue a Geddel Vieira Lima tem 27 assinaturas de líderes e vice-líderes da base governista. No documento, externam "amplo e irrestrito apoio e confiança" no trabalho do ministro.

"Consideramos que o ministro está conduzindo a pasta de maneira técnica, competente e tendo como premissa maior o diálogo, sendo também um dos protagonistas das sucessivas vitórias que o atual governo vem obtendo nesse Parlamento", diz um trecho do manifesto, que tem três parágrafos.

O texto não cita de maneira clara, em nenhum momento, as acusações de Marcelo Calero nem menciona o nome do ministro.

"Estive com eles [os líderes] hoje pela manhã e eles disseram que trariam essa manifestação que recebo com muita humildade, com muita responsabilidade e que só aumenta nossa vontade de trabalhar pelo país", agradeceu Geddel.
O ministro despediu-se dos deputados querendo encerrar a história. "Vamos trabalhar. O Congresso nos espera", afirmou.

Pela manhã, Geddel chorou na reunião com os líderes. Emocionou-se quando falou do pai, o ex-deputado Afrísio Vieira Lima, morto no início deste ano. Ele lembrou que seu jeito "despachado" foi aprendido com o ex-parlamentar.

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