Governo Bolsonaro não dará menos importância ao Mercosul, diz Aloysio

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, havia declarado que o Mercosul não seria uma prioridade

Ministro Aloysio Nunes Ministro Aloysio Nunes  - Foto: Wikimedia Commons

No primeiro dia da reunião do Mercosul nesta segunda-feira (17), em Montevidéu, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, colocou panos quentes nas expectativas de que o Brasil possa dar menos importância ao bloco no novo governo, que terá início em 1º de janeiro.

Isso porque o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, havia declarado que o Mercosul não seria uma prioridade. Aloysio diz que não responde pelo próximo governo, mas que considera que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, quer a continuidade do Mercosul, "mas o Mercosul não é uma obra pronta e acabada, precisa passar por aperfeiçoamentos, sobre como se relacionar com outras economias, e assim ir melhorando."

Afirmou que tem acompanhado o que o futuro secretário-geral do Itamaraty, Otavio Brandelli, e a equipe do chanceler argentino, Jorge Faurie, têm debatido sobre "como abrir mais o Mercosul". Para Aloysio, "conseguimos avançar muito, eliminamos muitas barreiras, mas há exceções que precisam ser revistas, é preciso eliminar impostos e burocracia e tornar a estrutura mais leve", afirmou.

Sobre a questão da continuidade do processo de união aduaneira, declarou que "esse é um debate que existe mesmo no atual governo". "Eu sou favorável, mas existem, atualmente, visões que nem sempre coincidem com a minha, vamos esperar o novo governo assumir. A nova equipe está muito focada no Mercosul", garantiu.

Aloysio disse que, com relação ao acordo da União Europeia, em sua gestão, também se avançou muito, mas que, "nas últimas semanas, sentimos por parte da União Europeia uma intransigência em relação a determinados temas".

Porém, afirmou estar otimista. "Chegamos muito perto de assinar o acordo e o tempo passado não foi em vão. O novo governo do Brasil e a próxima representação da União Europeia podem seguir a partir de algo já construído, isso se as correntes nacionalistas e protecionistas não continuarem a prosperar na Europa."

Declarou ser um defensor da União Europeia como "projeto importante para a humanidade" e que "está sob ataque em muitos países, algo que a transição política no Brasil se somou para que muitos passassem a ver a possibilidade de um acordo entre ambos com cautela. É preciso superar esses temas de conjuntura política".

Sobre o caso do "desconvite" que o Brasil fez a Cuba e a Venezuela para a posse de Bolsonaro, Aloysio disse que não trata de protocolo, mas que "o Itamaraty fez tudo de comum acordo com o governo que está entrando, que são os donos da festa."

Indagado sobre a presença do presidente argentino, Mauricio Macri, na posse de Bolsonaro, o chanceler argentino, Jorge Faurie, disse apenas que está confirmada a reunião entre os dois mandatários no próximo dia 16 de janeiro. "E na posse?", perguntaram os jornalistas. "Os dois estão conversando e vão se encontrar em janeiro".

Nesta terça-feira, realiza-se em Montevidéu o encontro entre os presidentes dos quatro países-membros, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

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