Governo chama 2ª denúncia de inépcia

Em viagem pela China, presidente tenta desqualificar a nova denúncia que a PGR deve apresentar durante esta semana

Depois de cogitar antecipar sua volta ao Brasil, Temer agora diz que não está preocupado Depois de cogitar antecipar sua volta ao Brasil, Temer agora diz que não está preocupado  - Foto: Rogério Melo/PR

 

Buscando desqualificar a atuação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diante da possibilidade de uma nova denúncia, o presidente Michel Temer (PMDB) atacou o procurador, nesse domingo (3). Após pedir a suspensão de uma eventual nova denúncia até que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a suspeição de Janot, Temer considerou que se a nova denúncia chegar ela será de "uma inépcia grande".
Em uma escalada contra Rodrigo Janot, o presidente disse que não está preocupado com uma nova denúncia contra ele. A crítica foi feita durante viagem do peemedebista à China, em entrevista concedida à TV Bandeirantes. No dia anterior, o presidente havia afirmado a assessores e aliados que o procurador-geral da República está agindo de forma afoita.

"Eu tenho a mais absoluta convicção de que se vier, será uma singeleza e, para não dizer, de uma inépcia grande. Eu não tenho nenhuma preocupação", disse.

Ele disse que o assunto será tratado por seu advogado, Antonio Mariz de Oliveira, e enfatizou que está "muito bem despreocupado em qualquer hipótese de denúncia". "Não tenho nenhuma preocupação e estou preocupado em levar o Brasil adiante, que é o que estamos fazendo", afirmou.

A expectativa é de que a PGR (Procuradoria-Geral da República) apresente a nova acusação nesta semana, o que chegou a levar o presidente a considerar um retorno antecipado ao Brasil. Mas ele foi convencido, contudo, a permanecer na China, até o final do encontro dos Brics, para evitar uma repercussão negativa, passando a mensagem pública de que estaria apreensivo.

"Eu cogitei, mais ou menos, quem sabe, eu saio na segunda-feira à noite, que será período da manhã no Brasil, chego mais ou menos às 11h e poderei acompanhar a votação [da meta fiscal]. Mas simplesmente isso, nada decidido ainda, nada decidido", afirmou. Na entrevista, o peemedebista disse ainda que a relação comercial entre Brasil e China é "muito sólida" e afirmou que se considera amigo do presidente chinês Xi Jinping.

"Vou ser um pouco ousado, mas praticamente amizade. Você sabe que é a quinta vez que eu me encontro com ele. E nós nos encontraremos pela sexta vez", disse.

 

Veja também

China também precisa da gente, diz Bolsonaro em meio a impasse sobre insumos de vacinas
Coronavírus

China também precisa da gente, diz Bolsonaro em meio a impasse sobre insumos de vacinas

Em reunião com chanceler da Índia em novembro, Ernesto criticou globalismo, mas não falou de vacina
Coronavírus

Em reunião com chanceler da Índia em novembro, Ernesto criticou globalismo, mas não falou de vacina