Governo negocia cargos para aprovar a PEC 241

A proposta foi aprovada ontem, pela comissão especial criada para debater o tema na Câmara

Fachada do Downtown PubFachada do Downtown Pub - Foto: Ed Machado / Folha de Pernambuco

Com quase quatro horas de discussão e obstrução dos partidos de oposição ao governo, a comissão especial da PEC 241 na Câmara dos Deputados aprovou, ontem, a redação final da matéria. Com isso, a proposta de emenda à Constituição, que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos, deverá ser votada em segundo turno nos dias 24 e 25 deste mês. Para garantir a fidelidade de sua base parlamentar no plenário, o Palácio do Planalto decidiu agilizar as indicações da Câmara para cargos na Caixa Econômica e no Banco do Brasil, além de pedir aos aliados que permaneçam em Brasília no final de semana.
Apesar do tumulto ao longo da reunião da comissão, com acusações e ofensas de ambos os lados, o projeto foi aprovado por 21 votos a favor, 7 contra. Não houve abstenção. No entanto, mesmo após o anúncio do resultado, os oposicionistas mantiveram a tentativa de obstrução dos trabalhos, exigindo, inclusive, a leitura e discussão da ata de sessão anterior.
Já as nomeações que atendem às bancadas governistas devem ser publicadas até o final da próxima semana no “Diário Oficial da União”. As indicações para a Caixa já estavam sendo acertadas antes da votação do primeiro turno da proposta e serão cumpridas agora. Além delas, o Palácio do Planalto também deve contemplar o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA).
Com a viagem do presidente Michel Temer para o Japão, Maranhão substituiu Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Câmara dos Deputados e tem sido responsável pela condução de votações de interesse do governo federal, como vetos presidenciais e abertura de crédito extraordinário para o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Ontem, Maranhão e Maia se reuniram no Palácio do Planalto para discutir a pauta de votações.
Para garantir quorum na semana que vem, Temer telefonou ontem para Maia, que tem atuado como seu interino no comando do Palácio. No telefonema, pediu ajuda para mobilizar a base aliada e acertou que a votação do teto de gastos seja realizada até a próxima terça-feira. O governo acredita que, caso a tramitação fique para a quarta ou quinta-feira, há grande possibilidade de perdas na base aliada por conta da fase final das campanhas municipais, uma vez que o segundo turno está marcado para o domingo.
Assim, o presidente pretende marcar um encontro com integrantes da base na manhã da segunda-feira, o que os obrigará a retornar a Brasília na noite do domingo. No primeiro turno, a proposta foi aprovada por 366 contra 111 votos.

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