Governo teme reação do mercado após crise chegar a Temer

Integrantes da equipe econômica temem que Calero apresente apresente provas concretas de pressão que Temer teria feito

As inscrições para o concurso da Secretaria Estadual de Saúde seguem até o dia 28 As inscrições para o concurso da Secretaria Estadual de Saúde seguem até o dia 28  - Foto: Divulgação

O governo do presidente Michel Temer está preocupado com a reação do mercado financeiro diante do agravamento da crise que levou à demissão do ministro Geddel Vieira Lima (Governo).

Segundo a reportagem apurou, integrantes da equipe econômica avaliam que, caso o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero apresente as provas concretas da pressão que diz ter recebido do próprio presidente da República e de integrantes da Esplanada, a situação da economia deve piorar.

Isso porque, dizem, o mercado é muito sensível e, diante de qualquer possibilidade de queda do governo em razão da instabilidade política, "vai começar a debandar".

O principal temor do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é que a crise política se agrave ainda mais e reflita na economia, imobilizando a recuperação ainda tímida, mas prevista por ele para acontecer no próximo ano.

De acordo com os prognósticos de Meirelles, com a aprovação do pacote de ajuste fiscal e o envio da reforma da Previdência ao Congresso ainda este ano, o país sairia da recessão em 2017 e começaria a crescer em seguida.

As projeções, porém, sofreram abalos nesta quinta-feira (24), pouco depois de a Folha de S.Paulo revelar que o ex-ministro da Cultura prestou depoimento à Polícia Federal em que disse que Temer o "enquadrou" para encontrar uma "saída" para a obra de interesse de Geddel.

A reportagem apurou que Calero gravou parte das conversas que teve com membros do governo sobre o assunto, o que alarmou o Planalto.

Auxiliares da Fazenda foram então procurados por empresários e integrantes do mercado financeiro ainda na noite de quinta para saber qual a real possibilidade de haver gravações contra Temer ou ministros do núcleo duro do Planalto. Demonstravam preocupação com a extensão da crise.

Nesta sexta, o dólar subiu e a bolsa caiu em reação à demissão de Geddel. Na contramão do exterior, o dólar à vista subiu para 1,26%, ficando em R$ 3,4390, e o dólar comercial aumentou 1,32%, para R$ 3,4440. O Ibovespa recuou 0,56%, ficando aos 61.050,52 pontos.

Obra

A construção do edifício La Vue Ladeira da Barra, em Salvador, foi embargada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e está no centro da mais recente crise envolvendo o Planalto.

Na semana passada, Calero pediu demissão após acusar Geddel de "pressioná-lo" para que o órgão de patrimônio vinculado à Cultura liberasse o projeto imobiliário em que o ministro da Secretaria de Governo havia comprado uma unidade.

Calero diz ter procurado Temer e ministros de Estado relatando as pressões de Geddel. Sustenta que elas não cessaram nem após o Iphan dar parecer contrário à obra nos moldes do projeto. A decisão ocorreu em 16 de novembro.

Calero disse ainda que Temer pediu para que ele construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado à AGU (Advocacia-Geral da União), porque a ministra Grace Mendonça "teria uma solução".

A AGU nega qualquer tipo de pressão para produção de pareceres técnicos e diz que as afirmações de Calero são "levianas".

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