Gravações em portaria de Bolsonaro não sofreram adulteração, aponta perícia

A informação consta de laudo do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) da Polícia Civil

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Carolina Antunes/PR

As gravações do interfone na portaria do Condomínio Vivendas da Barra, usadas como prova na investigação da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, não sofreram adulteração de seu conteúdo original.

A informação consta de laudo do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) da Polícia Civil em cinco HDs apreendidos no condomínio, onde moravam tanto o presidente Jair Bolsonaro como o policial militar aposentado Ronnie Lessa, um dos acusados do homicídio.

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A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem.
O sistema de gravação passou a ser analisado após um porteiro afirmar em dois depoimentos que foi Bolsonaro, morador da casa 58, quem autorizou a entrada do ex-PM Élcio Queiroz, também acusado no crime, a entrar no condomínio no dia do homicídio. A planilha de controle de entrada também mostrava a casa 58 como destino do visitante.

Élcio e Ronnie se encontraram no Vivendas da Barra pouco depois das 17h para, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, partirem juntos até o local do crime, ocorrido às 21h15. Um fato já apontava contradição na versão do porteiro: Bolsonaro estava em Brasília no momento em que o ex-PM foi autorizado a entrar no local.

Uma análise técnica feita pelo MP-RJ também indicou um erro no depoimento do porteiro, pois identificou como sendo Lessa o responsável por autorizar a entrada de Élcio. O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, divulgou em suas redes sociais que o nome do arquivo indicava que a ligação da portaria havia sido feita para a casa 65, de Lessa.

A Folha de S.Paulo revelou, contudo, que a análise da Promotoria não avaliou a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ser entregue às autoridades. A Polícia Civil, então, apreendeu os HDs para avaliar a eventual adulteração dos arquivos.

Dias depois, o porteiro afirmou à Polícia Federal ter cometido um erro ao mencionar o presidente. A PF apura um suposto crime de denunciação caluniosa no episódio.
O laudo, apresentado à Justiça na semana passada, diz que não foram encontrados "indícios sugestivos de edição fraudulenta do disco analisado, correspondente ao sistema de gravação do interfone".

O ICCE aponta ainda que o porteiro que interfonou para Lessa não é o mesmo que prestou depoimento apontando o envolvimento de Bolsonaro. Investigadores afirmam que isso se deve ao fato de um atender ao visitante e anotar o destino na planilha de controle de entrada -papel do porteiro que mencionou o presidente-, e outro fazer a ligação para a casa de destino.

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