Grifam o que não querem e deixam no ar o que querem

Por enquanto, esperam serem ouvidos pelo presidente. E vão ganhando tempo. É no Nordeste onde se encontra o maior contingente de trabalhadores rurais. Ontem, Temer já admitiu negociar aposentadoria rural

Na Carta de Fortaleza, assinada ontem, pelos governadores do Nordeste, o grupo deixou bem claro o que não quer em relação à Reforma da Previdência. Os participantes do encontro, no entanto, acabaram deixando no ar quais propostas apresentariam, em detalhes, caso fossem chamados pelo Governo Federal para conversar. Nos bastidores, os chefes dos executivos estaduais expressaram o incômodo com o fato de o presidente da República, Michel Temer, costumar ancorar suas decisões numa relação direta com o Congresso Nacional, deixando de ouvir governadores sobre temas como esse. Ficaram de procurar o mandatário do Planalto em busca de maiores informações, mas, de antemão, no documento, sublinharam: "Existe concordância com a necessidade de se implantar medidas para reformar a previdência brasileira, mas preservando a cidadania, o bem-estar social, protegendo especialmente os trabalhadores rurais, as mulheres e o acesso aos Benefícios de Prestação Continuada (BPC)". Colocam-se, assim, a favor da reforma. E não querem que se penalize "os mais pobres e as mulheres". Isso é o que não querem. Podem ser cobrados,
a partir de agora, sobre a fórmula que vão defender para implantação das mudanças. Temer já estipulou prazo de seis meses para que Estados e municípios façam as suas respectivas alterações nas regras da aposentadoria. Sem serem chamados a opinar, os governadores parece que também não quiseram dar a cara a tapa e expor abertamente pretensões sobre a reforma.
Por enquanto, esperam serem ouvidos pelo presidente. E vão ganhando tempo.
É no Nordeste onde se encontra o maior contingente de trabalhadores rurais. Ontem, Temer já admitiu negociar aposentadoria rural

Pode tudo, inclusive nada
Ex-prefeito do Recife, João Paulo tem dito, sobre 2018, que "pode concorrer a deputado estadual, a federal, a senador ou a governador". Mas, à coluna, sublinha: "Posso também não disputar nada". O que justificaria isso? "Posso ajudar na coordenação de Lula se ele for candidato, posso ajudar na campanha das oposições ao Governo do Estado", devolve.
Antes tarde > Desde a última sexta-feira, segundo João Paulo, chegaram recursos do PT para pagamentos de dívidas ainda remanescentes da campanha. "Mandaram apoio para aliviar a questão de pessoal", assinala ele.
Prestações > O valor encaminhado "dá um ajuste", pondera João Paulo. Mas ainda se estuda como será resolvida a questão "burocraticamente". O petista detalha: "Porque a conta foi encerrada e vão abrir conta de novo para fazer o pagamento". Estuda-se uma "forma de fazer parcelamento". João Paulo arremata sobre a relação dele com o PT: "Não tem clima de tensão".
Composição 1 > Diante da operação da Operação da Polícia Federal que resultou, ontem, na prisão de cinco dos sete conselheiros do TCE--RJ, o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Cristiano Pimentel, à coluna, realça a importância de se uma emenda à Constituição Federal que mude "a forma de composição nos tribunais de contas".
Composição 2 > O procurador justifica: "Para que fatos, como os ocorridos no Rio de Janeiro, não se repitam". Mas faz uma ressalva: "Há problemas nos tribunais de contas, mas também há coisas positivas, como, por exemplo, no TCU e no próprio TCE de Pernambuco".

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