Grupo político de Tarcísio minimiza cobrança do PP e crê que federação com União veta concorrência
Progressistas perdeu espaço na administração estadual com saída de Derrite e ameaça lançar candidato próprio ao governo em 2026
O anúncio do Progressistas de que cogita lançar um candidato ao governo de São Paulo em 2026, mesmo com Tarcísio de Freitas (Republicanos) alegando que será candidato à reeleição, não tem aval do União Brasil, partido com o qual deve formar uma superfederação para as eleições do ano que vem.
Esse ponto tem sido levantado por integrantes da gestão para alegar que se trata de “espuma”, ou seja, não deve ir adiante.
Em conversa com o Globo, o ex-presidente da Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo, Milton Leite, declarou que a ação “causa estranheza” e reafirmou o apoio ao governador. Partidos federados devem disputar as eleições majoritárias na mesma coligação, além de serem obrigados a somar os votos para deputado e distribuir as cadeiras entre os mais votados de ambos.
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— A federação prosseguirá com Tarcísio, seja como candidato a governador, seja para presidente. Se tivermos dificuldade em algum ponto, vamos ajustar — declarou Leite.
Leite é vice-presidente nacional do União Brasil e tem afirmado que será o líder da federação no estado a partir do momento em que ela estiver oficializada. O deputado federal Maurício Neves, presidente estadual do PP, nega acordo nesse sentido e tenta o posto. Foi dele quem partiu a informação de que o partido “avalia a possibilidade” neste sábado, 27, citando alternativas como Ricardo Salles e Filipe Sabará.
A justificativa passa pelo “crescente descontentamento de prefeitos da legenda” com uma suposta “falta de atenção” do governo, além do nível de “apoio público e concreto” de Tarcísio ao seu projeto majoritário, que atualmente seria a candidatura do ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado. Em outros momentos, o presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira, defendeu a tentativa de Derrite concorrer ao Executivo paulista, mas apenas na ausência de Tarcísio.
Neves foi procurado para explicar esses pontos, mas não atendeu aos pedidos de entrevista.
Interlocutores de Tarcísio afirmam que a ação parece ser uma tentativa de retomar influência na administração estadual depois da saída antecipada de Derrite. Pela legislação eleitoral, o deputado deveria deixar o cargo público até abril, mas acabou substituído pelo número dois da pasta, o delegado Osvaldo Nico, em dezembro, depois de pedir afastamento para relatar um projeto na Câmara. Com o aliado no cargo, Neves tinha mais espaço no interior, comenta uma fonte, sob reserva.
Nem mesmo entre correligionários da sigla a medida tem grande simpatia. O deputado estadual Delegado Olim (PP), figura influente entre os quadros da Polícia Civil, disse que avisou a Tarcísio ontem que “está com ele e não abre mão” e que a direção do partido “precisa ter juízo”. Para o subprefeito da Lapa, Coronel Telhada (PP), “nada é mais natural” do que a ascensão de Nico ao posto e a manutenção do apoio ao atual governo.
Nogueira, líder nacional do PP, é um dos principais entusiastas da candidatura de Tarcísio a presidente contra Lula (PT) e tentava se posicionar como vice da chapa, mas teve os planos frustrados com a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de lançar o seu filho, Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, para antagonizar com o petista. Ele também demonstrou incômodo com críticas públicas feitas ao governador pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

