Grupos estudam candidaturas coletivas para "desafiar o sistema"

"Você vota em um e leva 18", diz Cesar Santos, 38, do Mandato Conjunto 18, grupo de São Paulo que pretende lançar uma chapa com filiados para concorrer ao Senado

 O grupo tem um sucesso no currículo: a eleição, em 2016, de Sâmia Bomfim (PSOL) como vereadora na capital. O grupo tem um sucesso no currículo: a eleição, em 2016, de Sâmia Bomfim (PSOL) como vereadora na capital. - Foto: Reprodução Facebook

Em busca de inovar não só no conteúdo, mas também na forma, movimentos que pregam renovação política preparam o lançamento de candidaturas coletivas para o Legislativo, numa espécie de 'contestação' do sistema vigente. "Você vota em um e leva 18", diz Cesar Santos, 38, do Mandato Conjunto 18, grupo de São Paulo que pretende lançar uma chapa com filiados a vários partidos para concorrer ao Senado. Membros da Rede, do PV e do PSB estão participando das discussões.

A ideia é ter várias pessoas fazendo campanha como se fossem uma coisa só, divulgando um mesmo número de urna. Uma das 18 pessoas que devem compor a candidatura estará registrada perante a Justiça Eleitoral, como é hoje. Na prática, essa pessoa será tão candidata quanto as outras. Se a empreitada for vencedora, o postulante para fins legais terá que cumprir o compromisso de levar os colegas para o gabinete. E aí se iniciaria uma gestão compartilhada, com participação de todos nos rumos e decisões.

Proposta semelhante tem a Bancada Ativista, grupo mais à esquerda que engatilha candidaturas coletivas para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O plano é unir de dez a 15 pessoas sem experiência eleitoral e tentar assumir uma cadeira na Casa. Parece diferente? E é. Tanto que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) trata o tema no campo da hipótese. A corte diz que o assunto 'pode ser submetido à apreciação' no futuro. Hoje não há um parecer sobre implicações do modelo.

Questionamentos incluem a eventual caracterização dessas campanhas como coligações. Os grupos estão se cercando de consultoria jurídica para evitar problemas. Uma das regras expressas em lei é que o filiado a um partido só pode aparecer na propaganda do membro de outra legenda se as duas siglas estiverem oficialmente coligadas.

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Campanhas teriam que deixar claro para o eleitor que na urna apareceria a foto de uma pessoa, mas que, caso ela se eleja, arrastará o grupo todo. Num esforço para estimular a ideia de subverter a lógica atual, o Mandato Conjunto 18 quer chamar outros movimentos e propor que tenham candidaturas coletivas. 'Vamos conversar com lideranças do Agora!, do Acredito, do RenovaBR', afirma Santos.

Na Bancada, integrantes falam em 'desafiar' o modelo posto e veem sua proposta como uma 'experimentação' para mostrar que as formas atuais de campanha e de representação estão esgotadas. O grupo tem um sucesso no currículo: a eleição, em 2016, de Sâmia Bomfim (PSOL) como vereadora na capital.

A diferença é que na campanha municipal a organização funcionou mais como 'curadora' de candidaturas. As campanhas se ajudavam e se divulgavam, mas cada concorrente tinha o próprio registro. Embora deva ficar de fora do novo projeto da Bancada (ela cogita tentar a Câmara dos Deputados), Sâmia aprova a evolução do esquema. 'Abre uma fissura no sistema', diz.

Uma inspiração para as iniciativas é o grupo mineiro Muitas, que em 2016 elegeu duas mulheres para a Câmara de Belo Horizonte. Eram 12 candidatos individuais, todos do PSOL, que nas propagandas pediam voto para si e para os colegas. As vereadoras hoje tocam um gabinete juntas.

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