Guedes diz que mudança no benefício a idoso carente pode ser opcional

Bolsonaro quer que esse valor seja pago para quem completar 70 anos de idade

Ministro da Economia, Paulo GuedesMinistro da Economia, Paulo Guedes - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Alvo de críticas no Congresso, o novo modelo proposto para o BPC (benefício pago a idosos carentes) na reforma da Previdência pode ser opcional, disse, nesta quarta-feira (3), o ministro Paulo Guedes (Economia).

A ideia de deixar a pessoa escolher entre dois formatos diferentes do BPC surgiu em debate nesta semana entre integrantes do governo e deputados, que analisam a proposta de reforma da Previdência enviada pelo presidente Jair Bolsonaro em fevereiro.
Atualmente, quem tem mais de 65 anos tem direito a receber um salário mínimo (R$ 998).

Bolsonaro quer que esse valor seja pago para quem completar 70 anos de idade. Mas, entre os 60 anos e 70 anos, receberia R$ 400 por mês.

"A gente antecipa isso. E [o novo BPC] pode até ser opcional", afirmou o ministro, em audiência pública na CCJ (comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.

Leia também:
Guedes faz críticas ao PSL e diz que governo enfrenta a si mesmo no Congresso

Nesta terça (2), o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, também apoiou a sugestão de parlamentares para que seja opcional o modelo de recebimento do benefício.

Guedes reiterou que o Congresso, que analisa o tema, pode fazer esse tipo de alteração na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma.

"Eu não tenho voto. Vocês [deputados] são representantes da democracia."

Em debate com deputados, o ministro insistiu que os ajustes na Previdência devem ser feitos.

"O governo mandou a proposta [PEC]. Pode não ser aceita. Não sei se vai. Vamos ver. Aí vem outra [proposta de outro governo]".

Além das mudanças no BPC, há resistência no Congresso a alterações nas regras para aposentadorias rurais.

Guedes afirmou que 60% do déficit da Previdência Social é da parcela rural, que, segundo ele, representa 30% das aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Em resposta a críticas de que a reforma da Previdência prejudica os mais pobres, o ministro declarou que, pela PEC, "quem está pagando mais é quem recebe mais".
"Os mais pobres são justamente os que se aposentam hoje mais tarde".

Guedes apresentou os seguintes dados: As mulheres mais pobres se aposentam com 61,5 anos, enquanto as mais ricas trabalham até 55 anos. Pela reforma, a idade mínima para mulheres iria para 62 anos.
Na semana passada, líderes de 13 partidos se posicionaram contra as alterações no BPC, na aposentadoria rural e os dispositivos que retiram da Constituição regras de aposentadoria.
A CCJ é a primeira etapa para a aprovação da PEC da Previdência na Câmara.
A audiência com Guedes era esperada para destravar o andamento da proposta. Cerca de 100 deputados se inscreveram para questionar o ministro.

Veja também

Com apoio da oposição, manifestantes fazem carreatas por impeachment pelo país
Impeachment

Com apoio da oposição, manifestantes fazem carreatas por impeachment pelo país

Carreata no Recife pede impeachment de Bolsonaro e vacinação para todos
BLOG DA FOLHA

Carreata no Recife pede impeachment de Bolsonaro e vacinação para todos