Há um ano, a Câmara aprovava a abertura do impeachment de Dilma

Hoje, 37 deputados que estavam na sessão estão na lista de Fachin

Na ocasião, alguns políticos - de ambos os lados - usaram o plenário como palanque para discursar paradoxalmente contra a corrupção e prometer novos rumosNa ocasião, alguns políticos - de ambos os lados - usaram o plenário como palanque para discursar paradoxalmente contra a corrupção e prometer novos rumos - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um ano - completo nesta segunda-feira (17) - desde que a Câmara dos Deputados aprovou, por 367 a favor e 137 contra, o pedido de abertura de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), muita coisa mudou no cenário político. Na lista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na Corte, constam 37 deputados federais que participaram daquela sessão histórica. Destes, 22 votaram a favor do impeachment, 13 contra e dois se abstiveram. Na ocasião, alguns políticos - de ambos os lados - usaram o plenário como palanque para discursar paradoxalmente contra a corrupção e prometer novos rumos.

Aliado do então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e um dos artífices da destituição da petista, Paulinho da Força (SD-SP) declarou seu voto, sob o argumento de “fim da boquinha do PT”. “Este governo levou o País à maior crise da história do Brasil, com desemprego, com empresas fechando, com roubo generalizado”, criticou o deputado, que está em dois inquéritos na lista de Fachin: um por receber pagamento de vantagem não contabilizada (de R$ 1 milhão) para a campanha de 2014 e outro por doação irregular de R$ 700 mil.

Em nota, o deputado disse que “a Odebrecht doou R$ 1 milhão para o partido Solidariedade, que foi distribuído para pagamentos de campanhas entre diversos candidatos aos cargos de deputados federal e estadual. Deste montante, minha campanha ficou com exatos R$ 158.563,00, conforme registro no TSE” e frisou que as “contas foram aprovadas pelos órgãos eleitorais responsáveis”.

À época deputado em exercício, o atual ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), declarou o voto 342, que sacramentou a continuidade do processo. “Quanta honra o destino me reservou de poder, da minha voz, sair o grito de esperança de milhões de brasileiros. Pernambuco nunca faltou ao Brasil. Carrego comigo nossas histórias de luta pela liberdade e pela democracia. Por isso eu digo ao Brasil: sim para o futuro!”, gritou o tucano, que, segundo delatores, teria recebido doação eleitoral não contabilizada de R$ 600 mil, entre 2010 e 2012.

O ministro afirmou, em nota, que “os áudios e os vídeos dos delatores mostram uma dissociação em relação ao que me foi imputado e os fatos relatados”. “O sentimento é ainda de surpresa com as imputações que me foram feitas. Mas, diante do que está exposto, tenho convicção de que tudo ficará devidamente esclarecido”, destacou.

Da mesma forma, o aliado de Dilma, Vicentinho (PT-SP) discursou contra a corrupção. “Eu não sou corrupto, não faço conchavo, não sou traidor da classe trabalhadora e não sou oportunista. Em nome da dignidade da presidente Dilma, eu não aceito esse conluio espúrio”, afirmou o petista, que, segundo delatores, teria recebido R$ 30 mil, via caixa dois, na campanha de 2010. Vicentinho se disse surpreso. “Não tenho compromisso com a Odebrecht, provo através da minha atuação e dos meus projetos. Pelo menos seis são completamente contra a Odebrecht. Em defesa dos trabalhadores”, declarou, em vídeo.

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