BRASIL

Haddad, Lira, Tarcísio, Bolsonaro: quem ganha e quem perde com a aprovação da Reforma Tributária

Votação na Câmara mediu a correlação de forças no mundo político

Jair Bolsonaro, ex-presidente do BrasilJair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pauta que deve mudar substancialmente o regime fiscal do Brasil nos próximos anos, a Reforma Tributária também teve efeitos que reconfiguraram a correlação de forças entre atores políticos do país. O projeto, cujas discussões se arrastaram ao longo das últimas décadas, foi aprovado na noite da última quinta-feira por 382 votos a favor e 118 contrários, além de três abstenções.

A aprovação da proposta uniu partidos da base do governo Lula e até parte da oposição, incluindo o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, contou com a atuação — pró e contra — de grupos de governadores e prefeitos que fizeram intenso lobby, em Brasília, nos últimos dias.

Veja, abaixo, quem ganhou e quem perdeu no mundo político com a aprovação da reforma tributária.

Sobe

Haddad
O ministro da Fazenda Fernando Haddad foi visto como um dos maiores vencedores com a aprovação da proposta. Seu trabalho silencioso nos bastidores, atuando na articulação e negociação da proposta, rendeu elogios. Em entrevista ao SBT, Lula afirmou que não precisou entrar no corpo a corpo da articulação pela proposta, pois Haddad estava “jogando bem”.

Nas redes sociais, Haddad foi o vencedor de menções positivas de acordo com um levantamento feito pela Quaest, numa coleta de 5,3 milhões de interações sobre a reforma feitas no Twitter, Facebook e Instagram. A pesquisa analisou a repercussão em torno dos nomes do ministro da Fazenda, do presidente da Câmara, Arthur Lira, de Lula, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e de Jair Bolsonaro. Haddad foi o que se saiu melhor, com 78% de menções positivas contra 22% de negativas.

Lira
Em segundo lugar no levantamento da Quaest, ficou Arthur Lira, que teve 63% das menções positivas contra 37% negativas. O presidente da Câmara dos Deputados concentrou seus esforços para que a proposta fosse votada antes do recesso parlamentar e assumiu a condução dos trabalhos como um projeto pessoal.

Antes de dar início à votação, ele chegou a discursar no plenário em defesa da proposta, o que rendeu elogios até de petistas como Haddad. Além disso, usou sua influência sobre os partidos do Centrão para garantir uma votação com ampla margem favorável à proposta.

Appy
Principal mentor da proposta da Reforma Tributária, Bernardo Appy carrega há anos a bandeira da necessidade de uma mudança no regime fiscal brasileiro. Em 2007, quando trabalhava no segundo mandato de Lula com o Ministro da Fazenda Guido Mantega, ele elaborou um projeto que acabou naufragando no Congresso.

Passados 16 anos, de volta ao governo como secretário de Reforma Tributária do ministro Haddad, ele viu a nova proposta que vinha costurando desde 2019 ser finalmente aprovada em Brasília. Para isso, negociou e construiu pontes com o centro e a direita.

Tarcísio
Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entrou numa arena perigosa ao abraçar a proposta. No levantamento da Quaest, o saldo ficou quase num empate: teve 49% das postagens positivas e 51% negativas. O mundo bolsonarista ficou em polvorosa com a postura do ex-ministro, principalmente com o fato de ele ter posado ao lado de Haddad em defesa da reforma.

Ele mostrou força ao ajudar a mobilizar seu partido, o Republicanos, que apoiou de forma massiva a proposta. Além disso, conforme publicou O GLOBO, alguns analistas avaliam que o movimento pode colocá-lo como líder capaz de agregar o centro e a direita moderada. Bolsonaro, que colocou a artilharia de sua inflamada base contra o ex-ministro, encontrou-se com Tarcísio nesta sexta-feira em clima bem mais ameno.

Desce

Bolsonaro
Maior derrotado com a aprovação do projeto, Bolsonaro alcançou o pior desempenho nas redes no levantamento da Quaest. Ele teve 29% de menções positivas e 71% de negativas. Após ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ficar inelegível por oito anos, Bolsonaro fez seu primeiro teste de força política como líder da direita fora da corrida eleitoral ao tentar mobilizar o PL contra a Reforma Tributária.

Porém, a estratégia não funcionou e um em cada cinco deputados da bancada votou a favor do texto. Além disso, ele viu alguns de seus principais aliados, como Lira e Tarcísio, se empenharem em aprovar o projeto.

Caiado
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tentou liderar um movimento de chefes dos executivos estaduais contra a reforma, considerada “desrespeitosa” por ele. Apesar de outros governadores também rejeitarem alguns pontos e fazerem ressalvas à proposta, ele se posicionou de forma terminantemente contrária à mudança nas regras.

Para tentar frear a proposta, Caiado chegou a fazer apelos à bancada de deputados goianos e aos representantes do Agronegócio no Congresso. Porém, seus esforços não foram suficientes, e a Frente Parlamentar do Agronegócio foi favorável ao texto final.

Jorginho
Já o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, saiu do silêncio para se declarar contra a proposta, às vésperas da votação, após se reunir com o ex-presidente Bolsonaro, segundo publicou o portal catarinense NSC.

No dia da votação, ele publicou um vídeo em suas redes criticando o projeto: “E é pra isso que estamos aqui, vamos continuar lutando por uma reforma tributária de verdade, e não é isso que temos aí”, disse. Não adiantou.

Novo
Apesar do partido Novo ter anunciado que era “institucionalmente” a favor do projeto da Reforma Tributária, dois de seus três deputados votaram contra a proposta na Câmara. Não houve consenso na bancada, e a legenda liberou o voto.

Criado como partido de viés liberal, que pretendia ser protagonista nos debates econômicos do Brasil, o Novo acabou ficando de fora do núcleo das articulações de um dos projetos mais importantes para o desenvolvimento do país nesta seara.

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